A prisão de Diego Rivera Navarro, prefeito de Tequila, Jalisco, por supostos laços com o Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG) gerou um escândalo político que destaca a infiltração do crime organizado em governos locais do Morena. Essa ação, parte da Operação Enjambre lançada em novembro de 2024, marca a sexta detenção desse tipo de um prefeito do Morena nos últimos meses. A presidente Claudia Sheinbaum negou conluio sistêmico, descartando críticas externas como 'ficção científica', enquanto o partido promete triagem mais rigorosa de candidatos para eleições futuras.
A prisão de Diego Rivera Navarro, prefeito de Tequila, Jalisco, ocorreu na semana passada e revelou um esquema de extorsão direcionado a cervejarias e tequileiras, com compromisso de entregar 40 milhões de pesos anualmente ao CJNG, liderado por El Mencho. Junto com ele, três funcionários municipais foram detidos: diretores de Segurança Pública, Cadastro e Obras Públicas. Essa operação faz parte da Operação Enjambre, uma coordenação federal-estadual que, desde novembro de 2024, resultou em dezenas de prisões por extorsão, homicídio, sequestro e laços criminosos. Sheinbaum respondeu a uma reportagem do New York Times que questionava conluio entre cartéis e Morena, chamando-a de 'ficção científica' e afirmando: 'Não teríamos os resultados que temos se houvesse conluio com o crime.' Ela recordou o caso de Genaro García Luna, ex-secretário de Segurança condenado nos EUA por laços com o Cartel de Sinaloa, para contrastar com administrações anteriores. No entanto, analistas observam que a detenção confirma um problema estrutural: pelo menos 44 prefeitos em exercício enfrentam alegações críveis de conluio, com o CJNG implicado em 18 casos, principalmente em Michoacán, Morelos, Chiapas, Jalisco e Guerrero. Além disso, sete governadores em exercício enfrentam acusações semelhantes. A ação é vista como resposta às pressões dos EUA sob Donald Trump, que exige ação contra 'narcopolíticos'. O Morena anunciou que fortalecerá os filtros para candidaturas em 2027, reconhecendo falhas nos processos anteriores. Este caso não é isolado; no Estado do México, a operação levou à prisão de prefeitos do PRD e MC ligados à La Familia Michoacana. A detenção envia a mensagem de 'quem cai, cai', mas destaca o paradoxo da governança: combater o crime exige desmantelar redes que sustentam o poder local. Especialistas como Eduardo Guerrero Gutiérrez alertam que todos os partidos ignoraram esse fenômeno, embora o crescimento do Morena o torne mais vulnerável. Sheinbaum extraditou capos e destruiu laboratórios, mas persistem apelos por purgas mais profundas para evitar riscos na renegociação do T-MEC.