A primeira parte do julgamento contra Alejandro Gil Fernández, ex-ministro cubano da Economia e Planejamento, terminou em segredo total. Apenas seu filho pôde comparecer, sem acesso para a imprensa independente ou outros familiares. A família pede redução de pena e destaca irregularidades no processo.
Alejandro Gil Fernández, que serviu como ministro cubano da Economia e Planejamento de 2018 a 2024, enfrentou a primeira fase de seu julgamento por espionagem no Tribunal Militar de Marianao, em Havana. As audiências de três dias ocorreram sem cobertura da imprensa oficial ou observadores externos, sob o pretexto de 'segurança nacional'. Uma grande operação militar e paramilitar cercou o prédio, fechando ruas e comércios próximos, alimentando dúvidas sobre a transparência do julgamento em meio à recuperação de Cuba do furacão Melissa.
A filha de Gil, Laura María Gil, defendeu a inocência do pai nas redes sociais e pediu maior abertura. Seu filho, Alejandro Gil González, compareceu ao tribunal, mas não fez declarações públicas. Da Espanha, a irmã do ex-ministro, María Victoria Gil, ex-apresentadora de TV e advogada, expressou esperança de que o Ministério Público reduza a solicitação inicial de 30 anos de prisão, creditando a forte defesa de Abel Sola López. 'Quero que o povo de Cuba saiba que meu irmão negou ponto por ponto cada alegação relacionada à acusação de espionagem', disse ela no podcast El mundo de Darwin, citando informações anônimas de um participante da audiência. Ela insistiu: 'Meu irmão pode ter cometido crimes econômicos, mas Alejandro Gil não é um espião. Isso não é nada mais que uma armação política.'
María Victoria também destacou o precário estado físico e mental de Gil após quase dois anos na prisão de Guanajay, em Artemisa, alegando tortura psicológica. Um parente visitante relatou que ele mal conseguia ficar de pé e falava de forma incoerente. Nenhuma foto do julgamento foi divulgada, e uma imagem online mostra Gil careca e gravemente deteriorado, aparentemente manipulada.
Uma sentença é esperada nos próximos dias, enquanto um segundo julgamento para as acusações restantes, gerenciado pelo Escritório do Procurador-Geral, pode envolver outras pessoas, embora sua publicidade permaneça incerta. Ao mesmo tempo, outros ministros foram demitidos: Elba Rosa Pérez Montoya e Manuel Santiago Sobrino Martínez. O caso destaca a falta de supervisão sobre as finanças e atividades de altos funcionários cubanos.