O presidente Gabriel Boric criticou duramente a ausência em massa de deputados que causou o fracasso de uma sessão na Câmara na semana passada, exortando-os a priorizar leis sociais. Suas declarações, feitas durante a inauguração de uma creche em San Felipe, provocaram réplicas imediatas de legisladores da oposição que lembraram as próprias ausências passadas do presidente. O intercâmbio destaca as tensões crescentes entre os poderes executivo e legislativo.
Durante a inauguração do Jardín Infantil y Sala Cuna “Rayún del Valle” em San Felipe, o presidente Gabriel Boric repreendeu a falta de quórum na Câmara dos Deputados que frustrou uma sessão na terça-feira passada. “Seria muito melhor dedicar o tempo legislativo a isso, em vez de ter tempo em que as sessões fracassam porque os deputados não aparecem para trabalhar ou porque se dedicam a outras coisas”, afirmou, instando à aprovação de projetos como a lei de creche universal e o fim do sistema CAE no ensino superior.
O presidente da Câmara, José Miguel Castro (RN), rebateu que já havia enviado o projeto anti-CAE ao Senado e que a creche entrou por essa via. Ele lembrou de um fracasso similar em 2021, quando Boric e a ministra Camila Vallejo, então deputadas, estavam ausentes. “Mais do que olhar a palha no olho do outro, eu pediria ao Presidente que envie rapidamente um projeto para adiantar pagamentos às pessoas em relação às contas de luz, devido à ineficiência de seu governo”, acrescentou Castro.
Outros legisladores se juntaram: o vice-presidente Eric Aedo (DC) enfatizou o respeito às instituições e destacou aprovações como a lei contra o roubo de madeira e as renovações do estado de exceção na Macrozone Sul. Frank Sauerbaum (RN) acusou Boric de se comportar como um “líder universitário” e lembrou sua pobre frequência como deputado. Felipe Donoso (UDI) descreveu a presença passada de Boric como “paupérrima” ou desastrosa.
Do lado do governo, o deputado Jaime Araya (ind. PPD) tuitou: “Essa generalização que ele faz é uma entrada suja... a penúltima vez que uma sessão fracassou, um certo Deputado Boric não apareceu para trabalhar”.
O incidente ocorre em meio a atritos sobre o projeto de lei orçamentária, que inclui 151 milhões de dólares adicionais para ex-presidentes, e o erro na cobrança de luz que motivou ameaças de acusação constitucional contra o ex-ministro Diego Pardow. A ministra Vallejo chamou tais acusações de “um tremendo distração”.