Uma investigação do New York Times revela que César Chávez, cofundador do sindicato United Farm Workers e ícone dos direitos civis latinos, abusou sexualmente de meninas e mulheres ligadas ao movimento durante décadas. Dolores Huerta, sua aliada, alega ter sido estuprada por ele em 1966. O sindicato reconheceu as acusações e cancelou os eventos comemorativos.
O New York Times publicou, em 18 de março de 2026, uma investigação baseada em documentos, e-mails e entrevistas com mais de 60 pessoas, incluindo vítimas, acusando César Chávez de abusar sexualmente de menores e mulheres desde a década de 1960 até sua morte em 1993. Ana Murguia relata que os abusos começaram aos 13 anos de idade, de 1972 a 1977. Debra Rojas alega que Chávez a estuprou aos 15 anos em um motel da Califórnia durante uma marcha pelos direitos dos trabalhadores rurais. "Eu gostava dele", disse Rojas. "Ele fez um ótimo trabalho de manipulação. Deveriam lhe dar um Oscar por tudo o que fez."A maioria dos abusos ocorreu em La Paz, o complexo do sindicato nas montanhas Tehachapi, a mais de 160 km ao norte de Los Angeles. Dolores Huerta, cofundadora da UFW, revelou aos 95 anos que Chávez a manipulou e a forçou a fazer sexo com ela em 1966 em um vinhedo de Delano, Califórnia, resultando em duas gestações secretas. Em uma declaração, Huerta escreveu: "Na primeira vez, fui manipulada e pressionada... Na segunda vez, fui forçada, contra minha vontade". Ela disse que não estava ciente dos abusos contra crianças na época e condenou as ações de Chávez.O UFW, após tomar conhecimento da investigação, emitiu uma declaração na terça-feira reconhecendo as acusações "profundamente preocupantes" e "devastadoras", embora negando reclamações diretas. Anunciou a não participação em eventos no dia 31 de março, aniversário de Chávez, e a criação de um canal de denúncias para reparações. O New York Times acessou os e-mails do UFW sobre uma alegação, observando que a família e os ex-líderes sabiam, mas não investigaram.