O julgamento iminente do ex-ministro cubano da Economia Alejandro Gil por acusações de espionagem levanta questões sobre a transparência do processo legal. O autor sugere que pode ser mais uma purga na estrutura de poder de Cuba. É exercida pressão por um julgamento público para provar a legitimidade.
O julgamento iminente do ex-ministro cubano da Economia Alejandro Gil, acusado de espionagem, testa a credibilidade do sistema judicial de Cuba. O artigo afirma que essas acusações graves devem ser comprovadas para demonstrar um processo transparente ao mundo. Gil pode ser um bode expiatório em uma purga mais ampla, semelhante a episódios históricos da Revolução Cubana.
Desde os primeiros dias da Revolução, as purgas contra dissidentes têm sido comuns. Em 1959, o líder popular Hubert Matos foi preso por sedição por Camilo Cienfuegos, que desapareceu logo depois. Décadas depois, o Caso n° 1 de 1989 envolveu Arnaldo Ochoa por tráfico de drogas, seguido pelo Caso n° 2 contra o ministro do Interior José Abrantes por corrupção. Abrantes morreu na prisão em 1991 de um ataque cardíaco aos 60 anos, em circunstâncias estranhas.
Outras figuras-chave caíram: em 1992, Carlos Aldana Escalante foi expulso do Partido Comunista por graves defeitos e erros pessoais, ligado a um caso de fraude. Seu sucessor Robertico Robaina foi demitido por deslealdade e benefícios financeiros indevidos. Em 2004, Marcos Portal foi removido por tendências à autossuficiência. A maior demissão em massa ocorreu em 2009, afetando Carlos Lage, Felipe Pérez Roque e outros, com Fidel Castro criticando suas ambições de poder em suas « Reflexões ».
Líderes da União de Jovens Comunistas como Luis Orlando Domínguez (1987) e Julio Martínez (2009) também foram derrubados. Juan Carlos Robinson Agramonte recebeu 12 anos por abuso de influência em um julgamento sumário. O artigo enfatiza a necessidade de um julgamento público para Gil, dado o padrão de purgas que ocultam problemas sistêmicos do governo em Cuba.