Durante reunião da CPMI do INSS, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) reproduziu uma música de pagode para provocar o ex-ministro Onyx Lorenzoni. A canção, com refrão sobre erros humanos, foi uma referência às admissões passadas de Lorenzoni sobre irregularidades em campanhas. O gesto ocorreu em meio a questionamentos sobre doações de um empresário investigado no escândalo do INSS.
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) realizou sessão nesta quinta-feira (6/11) com o depoimento do ex-ministro Onyx Lorenzoni, do governo Jair Bolsonaro (PL). Durante seu tempo de fala, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) colocou para tocar a música “Velocidade da Luz”, do grupo carioca Revelação, como provocação à oposição. “Deixaria uma homenagem a todos que pedem desculpa e são reabilitados”, disse Pimenta, referindo-se ao refrão: “Todo mundo erra sempre, todo mundo vai errar”.
Pimenta criticou o governo Bolsonaro por afrouxar normas da Previdência Social a partir de 2019, o que, segundo ele, facilitou descontos indevidos em aposentados e pensionistas, tema central da investigação. “O povo brasileiro já entendeu por que esse esquema virou o que virou, esse monstro que virou, porque foi permitido, principalmente a partir de 2019, dentro do governo Bolsonaro, que todas essas mudanças tenham acontecido. As regras foram afrouxadas”, declarou.
Lorenzoni foi confrontado sobre uma doação de R$ 60 mil de Felipe Macedo Gomes, dirigente da Amar Brasil e investigado no escândalo, para sua campanha ao governo do Rio Grande do Sul em 2022. O ex-ministro afirmou não conhecer o doador. O escândalo do INSS, revelado pelo Metrópoles em dezembro de 2023, envolveu fraudes em filiações de associações, com arrecadação de R$ 2 bilhões em um ano e milhares de processos judiciais. As reportagens levaram à Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal em 23 de abril de 2024, resultando nas demissões do presidente do INSS e do ministro Carlos Lupi.
No passado, Lorenzoni admitiu em 2020 ter recebido R$ 300 mil da JBS em caixa dois nas campanhas de 2012 e 2014. Em 2017, confessou R$ 100 mil não declarados em 2014 e pediu desculpas: “Quero pedir desculpas ao eleitor que confia em mim pelo erro cometido. Mas vou assumir lá na frente do Ministério Público e do juiz do caso. [...] Vou falar a verdade, mesmo que essa verdade seja dura contra mim”.