As coalizões de esquerda da França mantiveram as prefeituras de Paris, Marselha e Lyon nas eleições municipais de 2026, enquanto o Reagrupamento Nacional de Marine Le Pen afirmou ter aumentado seu número de prefeitos para cerca de 70 em todo o país. Os resultados também expuseram tensões contínuas dentro da esquerda, à medida que conservadores e a extrema-direita registraram ganhos em cidades de pequeno e médio porte.
Os partidos de esquerda da França mantiveram o controle das três maiores cidades do país — Paris, Marselha e Lyon — após as eleições municipais realizadas em 15 e 22 de março.
A esquerda também venceu no subúrbio operário de Saint-Denis, elegendo um novo prefeito progressista que destacou suas raízes imigrantes, e conquistou um punhado de cidades adicionais, incluindo Saint-Étienne, Nîmes, Amiens e Pau.
Os governos municipais na França moldam a política local em áreas como habitação, cultura e financiamento de escolas primárias, conferindo aos prefeitos e conselhos municipais influência significativa sobre os serviços públicos cotidianos.
O partido de extrema-direita Reagrupamento Nacional (RN), de Marine Le Pen, não atingiu a maioria de seus principais alvos nas maiores cidades, mas o partido afirmou que multiplicou por seis o número de prefeituras sob seu comando e agora controla cerca de 70 prefeituras em todo o país. O The Nation relatou que os ganhos do RN se estenderam para além de seus redutos tradicionais em partes do norte da França e da Provença, incluindo vitórias em locais caracterizados como terrenos menos favoráveis, incluindo partes do centro e sudoeste da França e da Alsácia.
Uma das disputas mais acompanhadas foi Nice, a quinta maior cidade da França, onde Éric Ciotti — um conservador apoiado pelo RN que rompeu com os Republicanos (LR) após se alinhar ao campo de Le Pen — venceu a prefeitura, derrotando o atual prefeito Christian Estrosi, de acordo com relatos da mídia francesa.
Analistas e comentaristas afirmaram que a crescente base municipal da extrema-direita poderia ajudá-la no Senado, cujo colégio eleitoral é dominado por autoridades eleitas localmente.
As eleições também ressaltaram tensões dentro da esquerda. Em Marselha, o legislador do La France Insoumise (LFI), Sébastien Delogu, retirou-se entre os turnos após obter cerca de 12% no primeiro turno, enquanto em Paris, a candidata do LFI, Sophia Chikirou, permaneceu no segundo turno, mas terminou com aproximadamente 8%, relatou o The Nation.
Embora o LFI tenha conquistado alguns assentos locais e um número limitado de prefeituras, a análise do The Nation e do Le Monde citada pela revista afirmou que muitos desses resultados dependeram de alianças mais amplas com socialistas, verdes e comunistas — partidos que continuam a deter muito mais cargos municipais.
A votação ocorreu quase dois anos após a criação da aliança Nova Frente Popular, que reuniu os principais partidos de esquerda nacionalmente, mas que desde então tem sofrido com disputas internas. Com a aproximação da eleição presidencial de 2027, os resultados municipais ofereceram novas evidências tanto da resiliência da esquerda nos principais centros urbanos quanto do crescente alcance local da extrema-direita e de seus aliados.