Cúpula do G20 termina na África do Sul enquanto EUA pulam reunião de líderes

A Cúpula de Líderes do G20 concluiu em Joanesburgo, África do Sul, marcando o primeiro evento desse tipo no continente africano a terminar sem a participação de um presidente dos EUA em exercício. Hospedada pelo presidente Cyril Ramaphosa, a reunião prosseguiu apesar da ausência de Washington nas sessões de líderes, emitindo uma declaração conjunta mais cedo do que o habitual e adiando a cerimônia tradicional de passagem de faixa. Autoridades sul-africanas saudaram o resultado como um sucesso para o multilateralismo.

A cúpula, realizada ao longo do fim de semana em Joanesburgo, foi notável de várias maneiras. Como o primeiro encontro do G20 em solo africano, atraiu chefes de Estado e de governo das principais economias, mas o presidente Donald Trump não compareceu, de acordo com o relatório da NPR sobre a reunião. Washington enviou, em vez disso, representação de nível inferior.

A NPR relata que Trump alegou repetidamente que o governo sul-africano estava confiscando terras de fazendeiros brancos e tolerando violência contra afrikaners brancos, e ele foi duramente crítico do foco da cúpula em temas como diversidade, equidade e inclusão. Autoridades sul-africanas rejeitaram essas caracterizações, e grupos de monitoramento independentes disseram que as alegações do ex-presidente sobre uma ampla campanha de apreensões de terra e assassinatos direcionados não são apoiadas pelos dados disponíveis.

De acordo com a NPR, os membros do G20 chegaram a um consenso de forma incomumente rápida, com uma declaração conjunta acordada no início da reunião em vez de no final. O comunicado destacou as ameaças representadas pelas mudanças climáticas, a importância da igualdade de gênero e os crescentes encargos de dívida das nações em desenvolvimento — prioridades que frequentemente entraram em conflito com as posições políticas de Trump. Diplomatas disseram que autoridades dos EUA não tiveram papel na elaboração do texto final.

A NPR relata ainda que o presidente da Argentina, Javier Milei, um aliado político próximo de Trump, optou por não comparecer pessoalmente à cúpula. Buenos Aires enviou representantes em vez disso; eles expressaram reservas sobre várias passagens da declaração, mas no final não bloquearam sua adoção, de acordo com autoridades presentes nas negociações.

No domingo, Ramaphosa encerrou os procedimentos formais batendo um martelo cerimonial. "Este martelo desta cúpula do G20 encerra formalmente esta cúpula e agora passa para o próximo presidente do G20, que são os Estados Unidos, onde nos veremos novamente no próximo ano", disse ele, conforme citado pela NPR. Como Trump não viajou para Joanesburgo, não houve passagem de faixa para um líder dos EUA no palco. Autoridades sul-africanas recusaram-se a passar o martelo para um representante júnior da embaixada dos EUA, citando protocolo, e disseram que uma passagem procedimental entre contrapartes de posto equivalente ocorreria na segunda-feira.

O Ministro das Relações Internacionais, Ronald Lamola, descreveu a cúpula como "um grande sucesso para o nosso país", enfatizando que a África do Sul ajudou a direcionar as discussões para as preocupações de países de baixa e média renda. Ramaphosa disse aos repórteres que a reunião colocou "o Sul Global no coração da agenda" e elevou questões enfrentadas por economias em desenvolvimento mais alto na lista de prioridades do G20.

O presidente francês Emmanuel Macron agradeceu publicamente a Ramaphosa no encerramento da cúpula e reconheceu que diferenças significativas permaneciam entre os membros em várias frentes, relata a NPR. Autoridades disseram que conversas paralelas entre líderes europeus e latino-americanos abordaram uma gama de conflitos externos, incluindo ansiedade nas capitais europeias sobre elementos de um plano de paz proposto pelos EUA para a Ucrânia e desconforto brasileiro com atividades militares dos EUA perto da Venezuela.

A porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, criticou aspectos dos procedimentos, acusando Ramaphosa de complicar a transição para a presidência dos EUA e prometendo que Washington trabalharia para reforçar a credibilidade do grupo quando sediar a cúpula do G20 na Flórida no próximo ano, de acordo com a NPR.

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