Guajardo sugere 'cuarto de junto' para revisão do TMEC

O ex-secretário de Economia Ildefonso Guajardo recomendou que o futuro secretário de Relações Exteriores Marcelo Ebrard reviva a estratégia do 'cuarto de junto' antes da revisão do TMEC em 2026. Essa ferramenta de colaboração entre governo e setor privado foi crucial na renegociação do TLCAN em 2018. Guajardo alerta para riscos de um gabinete Trump atuando como uma 'câmara de ecos'.

Ildefonso Guajardo, que liderou a renegociação do TLCAN de 2017 a 2018 como secretário de Economia sob Enrique Peña Nieto, compartilhou suas percepções em uma entrevista ao El Financiero. Durante esse processo, os Estados Unidos impuseram tarifas sobre aço e alumínio mexicanos sob a Seção 232 em junho de 2018, o que o México retaliou com impostos sobre 71 produtos americanos, como carne de porco e uísque, em 5 de junho de 2018, conforme decreto no Diário Oficial da Federação.

O acordo foi fechado às pressas antes de Andrés Manuel López Obrador assumir o cargo. Guajardo explicou que o presidente eleito não quis assiná-lo para evitar responsabilidade, por isso Jesús Seade atuou como observador. 'Ele não quis ser o responsável por assinar o acordo porque isso implicaria ser responsável por todos os temas do acordo', recordou Guajardo.

Para a revisão do TMEC em julho de 2026, Guajardo identifica desafios: um gabinete Trump sem contrapesos internos, coordenação enfraquecida entre o governo mexicano e o setor privado, e a fusão de questões comerciais com migração, segurança na fronteira e tráfico de fentanil. 'Trump está num ponto em que acredita que tem de deixar um legado e impor a sua visão às coisas. Com um gabinete que não o ajuda necessariamente a refletir sobre as suas decisões, é um gabinete de confirmação do que ele quer fazer', afirmou.

O 'cuarto de junto', um espaço permanente de consulta com líderes empresariais, permitiu um lobby eficaz em Washington durante as negociações passadas. Guajardo pede a sua revitalização para influenciar aliados dos EUA e contrariar tarifas potenciais. Recentemente, México e Canadá registaram desenvolvimentos positivos, como vitórias democratas em estados-chave e desafios judiciais às tarifas de Trump, que levaram a reduções no café e frutas tropicais, reconhecendo o seu impacto inflacionário nos Estados Unidos.

No entanto, Guajardo sublinha que o TMEC deve preservar a sua essência de livre comércio sem quotas, e a revisão não deve começar com medidas punitivas.

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