O Escritório do Promotor Principal de Istambul emitiu mandados de prisão contra Benjamin Netanyahu e outros funcionários israelenses por crimes contra a humanidade e genocídio em Gaza. A ação aborda a ofensiva de Israel lançada em outubro de 2023, que causou mais de 68.800 mortes. Israel a descartou como propaganda, enquanto o Hamas a elogiou e pediu apoio internacional.
Na sexta-feira, o Escritório do Promotor Principal de Istambul, na Turquia, emitiu mandados de prisão contra quase 40 indivíduos, incluindo o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, por crimes contra a humanidade e genocídio. A decisão decorre da ofensiva de Israel na Faixa de Gaza, que nos últimos dois anos deixou mais de 68.800 mortos e 170.600 feridos, de acordo com as autoridades de Gaza controladas pelo Hamas. Persistem temores de que o número real seja maior, com corpos ainda sendo encontrados em áreas retiradas pelas tropas israelenses após um acordo de cessar-fogo.
Os alvos incluem o ministro da Defesa Israel Katz, o ministro de Segurança Nacional Itamar Ben Gvir, o chefe do Estado-Maior Eyal Zamir e o chefe da Marinha David Saar Salama. Um comunicado do promotor afirma: “Com base nas evidências coletadas, determinou-se que os seguintes funcionários israelenses são criminalmente responsáveis pelos crimes sistemáticos contra a humanidade e pelo genocídio cometidos em Gaza e pelas ações empreendidas contra a Flotilha Sumud Global. (...) A investigação continua de forma exaustiva e meticulosa”.
O documento destaca vítimas civis, destruição generalizada e ataques específicos, como o bombardeio do Hospital Batista Al-Ahli que matou 500 pessoas, e a morte da menina de seis anos Hind Rajab por centenas de tiros de soldados israelenses. Esses atos se intensificaram desde 7 de outubro de 2023, em meio a um bloqueio que impede a ajuda humanitária. Também investiga o ataque de Israel a ativistas da Flotilha Sumud Global em águas internacionais, por tortura, pilhagem e privação de liberdade.
Israel respondeu com desdém. O ministro das Relações Exteriores Gideon Saar chamou o mandado de “a mais recente manobra de propaganda do tirano”, referindo-se ao presidente turco Recep Tayyip Erdogan, e criticou a independência judicial da Turquia, citando a prisão do prefeito de Istambul Ekrem Imamoglu. O Hamas elogiou a medida em um comunicado relatado pela Filastin: “Esta medida louvável reafirma a posição do povo turco, comprometido com os valores de justiça e humanidade, e com a fraternidade que os une ao nosso povo oprimido, que sofreu e continua a sofrer a guerra de extermínio mais atroz da história moderna nas mãos dos criminosos de guerra que lideram a ocupação fascista”. A milícia palestina instou outros países a emitirem mandados semelhantes contra líderes israelenses.