Juíza Makintach se defende em júri por escândalo de documentário

A juíza Julieta Makintach depôs na quinta-feira no júri de La Plata, acusada de protagonizar um documentário que anulou o julgamento pela morte de Diego Maradona. Ela admitiu erros, mas negou buscar notoriedade e culpou colegas por não a alertarem. O processo pode se estender a cinco audiências e determinar sua demissão.

O júri contra a juíza Julieta Makintach começou na quinta-feira no porão do Anexo à Câmara de Senadores em La Plata, presidido por Hilda Kogan, do Supremo Tribunal de Buenos Aires. A magistrada, acusada de suborno passivo, violação de deveres de funcionário público, abuso de autoridade, desvio de fundos públicos e peculato de serviços, enfrenta possível demissão por seu papel no documentário 'Justicia Divina', filmado durante o julgamento pela morte de Diego Maradona e que causou sua anulação.

Makintach, ex-chefe do TOC nº 2 em San Isidro, exerceu seu direito de não responder perguntas, mas ofereceu uma autocrítica. 'Foi uma pedra em que tropecei sem medir as consequências', disse ela, usando uma metáfora para descrever sua participação. Ela admitiu: 'Nunca imaginei causar tanto dano à Justiça' e 'Gostaria de poder voltar no tempo. Juro pelos meus filhos que não conheço o produtor'. Ela negou buscar fama, atribuindo a ideia à sua amiga de infância María Lía Vidal, que atuou como roteirista, e lamentou o 'linchamento midiático'. Ela relatou ter colocado sua renúncia à disposição do governador Axel Kicillof.

Em seu depoimento, ela culpou colegas: 'Eu teria adorado que eles me alertassem. Gostaria que alguém tivesse vindo me dizer "você está colocando o julgamento em risco"'. Ela consultou sobre a câmera no primeiro dia do julgamento e recebeu aprovação: 'Eu consultei e me disseram que era uma ideia brilhante'. O promotor Patricio Ferrari relatou que Makintach se opôs a adiar o julgamento, insistindo em justiça rápida, e que a equipe de filmagem não estava credenciada. A oficial Mailén Itatí Romero confirmou que a juíza alertou sobre 'dois amigos' que entraram e discutiram a gravação em seu escritório.

O cinegrafista Jorge Ignacio Huarte complicou sua defesa: 'Eles me pediram imagens da juíza, porque este era um documentário sobre ela'. O produtor José Arnal afirmou que Makintach sabia e aprovou o projeto. Foram citadas 69 testemunhas, incluindo Dalma e Giannina Maradona. Durante a audiência, o trailer de 'Justicia Divina' foi exibido, pondo em risco sua carreira. O julgamento de Maradona será retomado no próximo ano.

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