O candidato presidencial José Antonio Kast encerrou sua campanha em Concepción com um discurso cheio de críticas ao governo de Gabriel Boric, à sua rival Jeannette Jara e ao ex-ministro Mario Marcel. Diante de apoiadores na Plaza de la Independencia, acusou-os de destruir o orçamento nacional e de se desconectarem da realidade chilena. O evento marca o fim das atividades antes do segundo turno em 14 de dezembro.
No sábado, José Antonio Kast, candidato do Partido Republicano, liderou um evento de encerramento de campanha na Plaza de la Independencia em Concepción, protegido por vidro à prova de balas. O evento, um dos últimos antes da eleição de 14 de dezembro, reuniu apoiadores e serviu para consolidar o apoio da oposição por meio de ataques diretos ao establishment.
Kast começou agradecendo o apoio de Chile Vamos, Amarillos, Demócratas e do Partido Nacional Libertario. Ele destacou o endosso de Evelyn Matthei, afirmando: “pudemos ter diferenças, mas ela estava lá no primeiro dia, porque se jogou de cabeça”. Ele também reconheceu figuras como o deputado Johannes Kaiser, Ximena Rincón e Andrés Jouannet, enfatizando uma “causa comum”.
O tom rapidamente mudou para críticas. Sobre o presidente Gabriel Boric, questionou sua percepção da realidade: “O Presidente nos diz que o Chile não está desmoronando. Que parte do Chile ele visitou? Porque se você for a qualquer clínica, qualquer CESFAM, qualquer COSAM, percebe o sofrimento das pessoas. Não há suprimentos, há medicamentos vencidos”. Ele acrescentou que Boric pode “andar calmamente” graças à proteção, mas não o chileno médio.
Jeannette Jara foi um alvo recorrente: “Jara é Boric e Boric é Jara, e isso está mais do que claro”. Kast criticou seu mandato como ministra do Trabalho, apontando “um milhão de desempregados e mais de dois milhões na informalidade”, e a acusou de prometer empregos como se “tivesse acabado de chegar ao Chile”.
Mario Marcel enfrentou acusações duras: “O ex-ministro da Fazenda fugiu para que não dissessem que era culpado e voltou após o prazo para desafiá-lo. É uma vergonha... ele destruiu as arcas fiscais deste país”. Kast afirmou que o governo “destruiu o orçamento da nação” sem crise econômica ou pandemia, falhando nos orçamentos por três anos.
Por fim, reiterou sua proposta migratória: imigrantes irregulares devem deixar o Chile em 95 dias, uma medida de “senso comum”. Ele enviou uma mensagem aos foragidos: “se se entregarem, têm uma chance”.
O discurso reflete a estratégia de Kast para ampliar sua base opositora no Biobío, uma região chave, em meio a pesquisas que o posicionam favoravelmente para o segundo turno.