O presidente interino do Peru, José Jerí, afirmou que não hesitaria em entrar na embaixada do México em Lima para prender a ex-ministra Betssy Chávez, que recebeu asilo político do México. A presidente Claudia Sheinbaum respondeu que tal ação violaria leis internacionais e a soberania. O primeiro-ministro do Peru esclareceu que entrar nas dependências diplomáticas não é possível.
José Jerí, com 39 anos e nascido a 13 de novembro de 1986 em Jesús María, Lima, assumiu a presidência do Peru após a destituição de Dina Boluarte. Entrou no Congresso em 2021 como suplente de Martín Vizcarra com 11.600 votos e tornou-se presidente do Legislativo a 26 de julho de 2025. A sua carreira política começou em 2013 com o partido Somos Perú, embora tenha perdido as eleições municipais de Lima.
A ex-primeira-ministra Betssy Chávez buscou refúgio na embaixada do México em Lima após ser acusada de envolvimento na tentativa de golpe de 2022 do ex-presidente Pedro Castillo. O México concedeu-lhe asilo político, gerando desacordo com o Peru, que considera o caso um crime comum. Jerí expressou a sua frustração numa entrevista ao El Comercio: “Si se tiene que ingresar a la Embajada mexicana, se hará” (Se for necessário entrar na Embaixada mexicana, será feito). Ele acrescentou: “No vamos a pronunciarnos todavía, porque consideramos que se ha distorsionado un principio... hay compromisos internacionales que existen y cumpliremos en su momento” (Ainda não nos pronunciaremos, porque consideramos que um princípio foi distorcido... existem compromisos internacionais que cumpriremos no momento devido).
Em resposta às ameaças da Colômbia de retirar a sua embaixada e às críticas de Sheinbaum, Jerí disse: “no le tiembla la mano” (a mão não lhe treme) e “a palabras necias, oídos sordos” (a palavras nécias, ouvidos surdos). Sheinbaum, na sua conferência matinal de 24 de novembro de 2025, alertou: “El asunto es que si se comete una irregularidad internacional sería una violación a la soberanía. Podemos tener diferencias, pero siempre en el marco de la ley internacional” (O assunto é que, se for cometida uma irregularidade internacional, seria uma violação à soberania. Podemos ter diferenças, mas sempre no quadro da lei internacional). Ela comparou a situação com a invasão do Equador à embaixada do México para capturar Jorge Glas.
O primeiro-ministro Ernesto Álvarez reafirmou que “no es posible” (não é possível) entrar na embaixada, pois viola normas técnicas e diplomáticas. Jerí reflete o sentimento de muitos peruanos que rejeitam o asilo, segundo Álvarez: “No es posible que una persona que está siendo investigada por un delito común... esté asilada en una embajada” (Não é possível que uma pessoa investigada por um crime comum... esteja asilada numa embaixada). Esta tensão diplomática surge no meio de escândalos de Jerí, incluindo uma acusação de abuso sexual arquivada e críticas ao seu comportamento nas redes sociais, mas ele não renunciou apesar de protestos que incluíram a morte de um manifestante em outubro de 2025.