A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a reestruturação societária da Braskem está bem encaminhada, com possibilidade de novo acordo de acionistas ainda este ano. As negociações envolvem a transferência do controle da petroquímica da Novonor para a gestora IG4, mas ajustes com a Petrobras ainda são necessários. As ações da Braskem subiram na quarta-feira devido a avanços nas tratativas.
Em entrevista na Firjan, no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (5), Magda Chambriard destacou o progresso nas discussões sobre um possível novo acordo de acionistas para a Braskem. "Nós temos evoluído na discussão de um possível acordo de acionistas, mas eu não posso dizer que isso está fechado", disse ela. "Temos ainda algumas questões societárias a serem ajustadas", completou, mas expressou otimismo: "Estamos mais perto do que já estivemos" e espera assinatura até o fim do ano.
A Petrobras, com 47% do capital votante, é a principal sócia minoritária e precisa aprovar a operação. O controle atual está com a Novonor (ex-Odebrecht), cujas ações foram dadas em garantia a empréstimos bilionários de bancos como Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e BNDES. Novonor e IG4 já acertaram que a ex-controladora manterá 4% da petroquímica, mas detalhes com a Petrobras pendem.
Bancos credores antecipam assinatura do acordo entre Novonor e IG4 na próxima semana. A Novonor confirmou tratativas, mas negou assinatura; a Braskem disse não participar de negociações sobre venda de ações; e a IG4 admitiu que as discussões não estão concluídas.
Não é a primeira tentativa: negociações anteriores com LyondellBasell, Adnoc, Kuwait Petroleum, Unipar e J&F falharam, assim como com Nelson Tanure, que tinha apoio do governo.
Sexta maior petroquímica mundial, com operações em dez países, a Braskem enfrenta ciclo de baixa nos preços de matérias-primas, invasão de produtos americanos, 30% de ociosidade fabril e incertezas com o passivo do desastre em Maceió devido a minas de sal-gema.
No novo plano de negócios da Petrobras, anunciado na semana passada, a estatal reforça interesse no setor petroquímico, com investimentos em produção de matérias-primas no Complexo Boaventura (ex-Comperj) e expansão de unidade da Braskem no Rio de Janeiro. A companhia quer maior influência nas operações da Braskem, sem reestatizá-la, e não planeja injetar capital.