Pf prende presidente da alerj por suspeita de vazamento de informações

A Polícia Federal prendeu preventivamente Rodrigo Bacellar, presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), nesta quarta-feira (3/12), por suspeita de vazar informações sigilosas de uma operação contra o Comando Vermelho. A prisão ocorreu durante uma reunião na sede da PF no Rio, e agentes apreenderam R$ 90 mil em espécie no veículo oficial do deputado. O caso está ligado à Operação Zargun, que resultou na prisão do ex-deputado TH Joias em setembro.

Rodrigo Bacellar (União Brasil), presidente da Alerj, foi detido pela Polícia Federal (PF) em 3 de dezembro de 2025, após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A prisão faz parte da Operação Unha e Carne, no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental das Favelas (ADPF 635), que investiga grupos criminosos violentos no Rio de Janeiro. Bacellar é suspeito de ter vazado informações da Operação Zargun, deflagrada em 3 de setembro, que visava a cúpula do Comando Vermelho (CV) e conexões com agentes públicos.

Segundo a PF, Bacellar alertou o então deputado TH Joias (sem partido) na véspera da operação, orientando-o a destruir provas e fugir. Após o aviso, Joias apagou dados de seu celular, adquiriu um novo aparelho com Bacellar como contato de emergência e enviou fotos da equipe da PF em sua residência durante a busca. A operação Zargun desarticulou um esquema de tráfico internacional de armas e drogas, corrupção e lavagem de dinheiro, com 18 mandados de prisão, 22 de busca e apreensão e sequestro de R$ 40 milhões em bens. Alvos incluíam um delegado da PF, policiais militares, um ex-subsecretário estadual e Joias, acusado de intermediar compras de fuzis, drogas e equipamentos antidrones para o CV, além de nomear investigados para cargos na Alerj.

Durante a prisão de Bacellar, que ocorreu na sede da PF no Rio para evitar espetacularização, agentes apreenderam três celulares para perícia e R$ 90 mil em espécie no veículo oficial usado por ele para uma reunião com o superintendente Fábio Galvão. Moraes também determinou o afastamento de Bacellar do cargo. A PF descreve o caso como 'o retrato perfeito da espoliação dos espaços públicos de poder pelas facções criminosas no Rio de Janeiro', evidenciando um 'estado paralelo' comandado por políticos ligados ao crime.

A defesa de Bacellar nega o vazamento e afirma que ele esclareceu tudo em depoimento à PF, sem obstruir investigações. Já a defesa de Joias alega perseguição política e constrangimento ilegal, citando imunidade parlamentar, mas o Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou habeas corpus e manteve a prisão preventiva.

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