A Polícia Civil do Rio de Janeiro identificou 109 das pessoas mortas na Operação Contenção, deflagrada em 28 de outubro nos complexos do Alemão e da Penha. A ação, a mais letal da história policial do país, resultou em 121 mortes, incluindo quatro agentes. Atualização elevou o número de 99 identificados na sexta-feira para 109 no sábado.
A Operação Contenção foi lançada na terça-feira, 28 de outubro de 2025, nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, com o objetivo de prender lideranças do Comando Vermelho, como Edgar Alves de Andrade, o Doca, que permanece foragido. A ação deixou 121 mortos: 117 suspeitos e quatro policiais, tornando-se a mais letal da história policial brasileira.
No sábado, 1º de novembro, a Polícia Civil confirmou a identificação de 109 corpos, um aumento em relação aos 99 divulgados na sexta-feira, 31. Desses, 43 possuíam mandados de prisão pendentes e pelo menos 78 tinham histórico criminal. Além disso, 54 eram de outros estados, como Pará, Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás e Espírito Santo, reforçando o alcance nacional da facção, com lideranças em quatro das cinco regiões do país.
Os complexos funcionam como centros de comando, treinamento e decisão do Comando Vermelho, com movimentação de cerca de 10 toneladas de drogas por mês e comércio de 50 fuzis mensalmente. Um terço dos presos na operação é de fora do estado. A polícia apreendeu 120 armas, incluindo 93 fuzis, explosivos, munições e equipamentos militares avaliados em R$ 12,8 milhões, com origens em países como Venezuela, Argentina, Bélgica e Rússia, e modelos como AK-47, AR-10 e G3.
"Cada fuzil retirado de circulação representa uma vida salva", disse o governador Cláudio Castro (PL), classificando a ação como um "sucesso". O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, destacou que o rastreamento das armas é essencial para atingir o núcleo financeiro e operacional das facções.
A operação provocou tiroteios, incêndios, bloqueios de vias e uso de drones por criminosos para lançar explosivos contra agentes e moradores. Na sexta-feira, familiares e moradores realizaram o protesto pacífico "Chega de Massacre", pedindo justiça e fim da violência contra populações negra e periférica, com manifestações em capitais como São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza e Brasília.
A Defensoria Pública solicitou acompanhamento das perícias no Instituto Médico Legal, mas o pedido foi negado, com acesso restrito a policiais civis e Ministério Público. O órgão cita a ADPF das Favelas, determinada pelo Supremo Tribunal Federal. Dos 109 identificados, 99 corpos foram liberados às famílias após perícias supervisionadas pelo Ministério Público.