Experimento quântico resolve debate Einstein-Bohr sobre a luz

Um experimento mental centenário proposto por Albert Einstein para desafiar as ideias de Niels Bohr sobre mecânica quântica foi realizado em um teste no mundo real. Pesquisadores liderados por Chao-Yang Lu na University of Science and Technology of China usaram ferramentas modernas para confirmar o princípio de complementaridade de Bohr. Os achados mostram que a luz exibe tanto propriedades de onda quanto de partícula, mas não simultaneamente de forma clara.

A rivalidade entre Albert Einstein e Niels Bohr sobre mecânica quântica remonta a 1927, centrada no experimento da dupla fenda demonstrado pela primeira vez por Thomas Young em 1801. Young provou que a luz se comporta como onda mostrando um padrão de interferência de listras claras e escuras em uma tela após passar por duas fendas. Einstein argumentou que a luz é uma partícula, enquanto Bohr introduziu a complementaridade, sugerindo que objetos quânticos podem atuar como ondas ou partículas, mas não ambas ao mesmo tempo.

Einstein propôs modificar o experimento com uma fenda com recuo para rastrear o caminho de um fóton, o que ele acreditava revelaria ambos os comportamentos simultaneamente, contradizendo Bohr. Quase um século depois, Lu e sua equipe na University of Science and Technology of China tornaram isso realidade. Eles dispararam um único fóton em um átomo ultra-frio, atuando como a fenda, resfriado por lasers e forças eletromagnéticas para controle preciso.

O átomo recuou na interação, colocando o fóton em um estado que imitava a passagem por dois caminhos e produzindo um padrão de interferência. Ao ajustar a incerteza de momento do átomo, como previsto pelo princípio da incerteza de Heisenberg, a equipe pôde apagar o padrão ao medir a informação de qual caminho com precisão. Em regimes intermediários, uma interferência borrada apareceu ao lado de dados parciais de recuo, mostrando ambas as propriedades parcialmente. "Ver a mecânica quântica 'em ação' nesse nível fundamental é simplesmente de tirar o fôlego", disse Lu.

O contra-argumento de Bohr se manteve: conhecimento preciso da posição embaça o momento, destruindo o padrão. Um experimento relacionado este ano por Wolfgang Ketterle no Massachusetts Institute of Technology usou dois átomos ultra-frios e lasers, confirmando resultados semelhantes mesmo sem mecanismos de recuo. "Na física atômica, com átomos frios e lasers, temos oportunidades reais de exibir a mecânica quântica com clareza que não era possível antes", observou Ketterle.

Philipp Treutlein na University of Basel elogiou o trabalho por corresponder às previsões históricas e seu impacto educacional. Lu espera que inspire admiração pela beleza da mecânica quântica. Os resultados aparecem em Physical Review Letters (DOI: 10.1103/93zb-lws3).

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