Pesquisadores identificam Dolichospermum como fonte de saxiosxinas do lago Erie

Cientistas da Universidade de Michigan identificaram Dolichospermum, um tipo de cianobactéria, como o organismo produtor de saxiosxinas perigosas nas florações de algas nocivas do lago Erie. Usando sequenciamento genômico, descobriram que apenas certas linhagens geram essas potentes neurotóxinas, com águas mais quentes e baixos níveis de amônio potencialmente favorecendo seu crescimento. Essa descoberta pode melhorar o monitoramento e a gestão das florações em meio às mudanças climáticas.

O lago Erie há muito luta contra florações de algas nocivas (HABs) durante os meses quentes, quando as cianobactérias se multiplicam rapidamente e liberam toxinas que ameaçam a vida selvagem e a saúde humana. Uma floração em 2014 produziu microcistina, colocando em risco o abastecimento de água potável de Toledo, enquanto a saxiosxina —uma potente neurotóxina— foi detectada pela primeira vez em 2007, embora sua fonte permanecesse desconhecida até agora.

Pesquisadores da Universidade de Michigan, liderados por Paul Den Uyl, coletaram amostras de HABs por todo o lago e empregaram sequenciamento 'shotgun' para analisar o DNA. Essa técnica permitiu reconstruir genomas e identificar genes responsáveis pela produção de saxiosxina. Seus achados, publicados em Environmental Science & Technology (2025, 59(15):7600, DOI: 10.1021/acs.est.4c10888), revelam que linhagens de Dolichospermum são as culpadas, mas apenas as específicas possuem a capacidade de produzir a toxina.

"A principal vantagem de saber qual organismo produz a toxina é que ajuda a entender as condições que causam a produção de toxina —ou seja, quais condições tornam esses organismos bem-sucedidos", disse Gregory Dick, professor de ciências da terra e do meio ambiente e diretor do Cooperative Institute for Great Lakes Research (CIGLR). A equipe observou maior abundância do gene da saxiosxina em águas mais quentes, levantando preocupações sobre mudanças impulsionadas pelo clima. "Com o aquecimento dos lagos, uma das grandes perguntas é: como isso vai mudar as comunidades biológicas, incluindo florações cianobacterianas nocivas?" acrescentou Den Uyl.

A capacidade do Dolichospermum de fixar nitrogênio do gás dinitrogênio atmosférico proporciona uma vantagem competitiva em ambientes com baixo amônio, potencialmente agravando as florações. "Uma das coisas legais de ter o genoma completo é que você pode ver tudo o que o organismo pode fazer, pelo menos teoricamente", explicou Dick. Os pesquisadores monitoraram a saxiosxina por nove anos, mas enfatizam que é cedo demais para prever tendências de longo prazo. Esforços futuros rastrearão a abundância do organismo para informar políticas e gestão.

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