Os senadores americanos Jeanne Shaheen e Lisa Murkowski apresentaram legislação bipartidária para impedir qualquer anexação americana ou operações militares na Groenlândia, em meio a preocupações com as ameaças do presidente Trump de controlar o território. A medida visa proteger as alianças da OTAN e tranquilizar a Dinamarca, que administra a Groenlândia. Tensões diplomáticas persistem, com a Dinamarca formando um grupo de trabalho com autoridades americanas enquanto reforça sua presença militar.
A senadora Jeanne Shaheen, democrata de New Hampshire e membro sênior do Comitê de Relações Exteriores do Senado, discutiu o projeto bipartidário na NPR, copatrocinado pela senadora republicana Lisa Murkowski do Alasca. A legislação impediria a administração Trump de anexar a Groenlândia ou conduzir operações militares lá, contrapondo esforços para tomar controle do território dinamarquês. Shaheen enfatizou a importância da OTAN, notando-a como “a aliança de segurança mais forte e eficaz provavelmente na história”. Ela destacou o apoio da Dinamarca após o 11/9, quando aliados da OTAN invocaram o Artigo 5 e se juntaram aos EUA no Afeganistão. “Para o presidente Trump minar esse pacto de segurança nacional ameaçando a Groenlândia não faz sentido algum”, disse Shaheen. Líderes da Groenlândia e da Dinamarca expressaram disposição para parceira com os EUA em minerais críticos, bases militares e contrapor ameaças da Rússia e China, sem necessidade de ação militar. Shaheen argumentou que buscar uma tomada de controle beneficiaria adversários como Rússia e China ao enfraquecer alianças americanas. “O que Vladimir Putin e o presidente Xi da China estão vendo é que Donald Trump está minando essas relações de formas que beneficiam a Rússia, que beneficiam a China”, afirmou. O projeto ganhou apoio republicano, incluindo do presidente do Comitê de Serviços Armados Roger Wicker, que se juntou a Shaheen em uma reunião com embaixadores dinamarquês e groenlandês na semana passada. Eles afirmaram a relação de longa data entre EUA e Dinamarca e nenhuma necessidade de negociações sobre aquisição. O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, após se reunir com o vice-presidente Vance e o secretário de Estado Marco Rubio, descreveu um “desacordo fundamental” com Trump, que quer “conquistar” a Groenlândia. As partes concordaram em formar um grupo de trabalho sobre preocupações de segurança dos EUA. Em resposta, a Dinamarca planeja aumentar sua presença militar na Groenlândia, enquanto Suécia e Alemanha anunciaram que enviarão forças à região, sinalizando solidariedade. Isso desafia a proibição da Carta da ONU ao uso da força para apreender territórios. Shaheen planeja viajar a Copenhague na sexta-feira com uma delegação bipartidária para abordar preocupações e reafirmar o apoio congressional dos EUA à Dinamarca, Groenlândia e OTAN. A opinião pública opõe-se à força militar ou à compra da Groenlândia, especialmente em meio a necessidades domésticas como altos custos e perdas em saúde; Shaheen citou um preço potencial de 700 bilhões de dólares como desnecessário.