Singapura mostra que um país sem recursos naturais pode tornar-se uma potência económica através de instituições sólidas e planeamento a longo prazo. O seu sucesso assenta na construção de confiança para investimento e na transição para uma economia baseada no conhecimento. O artigo destaca lições aplicáveis a outras nações.
Singapura, menor do que muitas cidades, transformou-se numa das economias mais prósperas do mundo através de uma visão estratégica e execução disciplinada. Após a independência, faltavam-lhe recursos naturais, mas aproveitou a sua localização estratégica e o talento humano para se focar nas exportações e na manufatura inicial. No entanto, a verdadeira base do seu progresso reside em elementos intangíveis como instituições fiáveis, regras claras, aplicação da lei e infraestruturas eficientes, que constroem confiança para investimento e inovação. Os dados são da OCDE. Ao longo do tempo, Singapura transitou para uma economia financeira e baseada no conhecimento, atraindo empresas globais com impostos baixos, certeza jurídica e políticas que fomentam o talento. Promoveu também o empreendedorismo local e a educação para aproveitar a criatividade como motor de desenvolvimento. Além disso, enfatizou a qualidade de vida através de um planeamento urbano ordenado, espaços bem concebidos e serviços públicos de alta qualidade, tornando-se um lugar apelativo para viver e trabalhar. Hoje, enfrenta desafios decorrentes do seu sucesso, como elevados custos de vida, pressões habitacionais, uma população envelhecida e a necessidade de equilibrar talento local e estrangeiro num mundo competitivo. O autor Luis Wertman Zaslav delineia lições chave: a prioridade da visão a longo prazo sobre a improvisação, o papel de instituições sólidas na geração de riqueza, o foco numa vida melhor para além da mera produção e a renovação contínua do sucesso. 'A geração de confiança é a grande energia', conclui, sublinhando que o progresso surge de um planeamento sério, execução disciplinada e governação responsável.