Tempos difíceis para o jornalismo crítico na folha

A ombudsman da Folha de S.Paulo, Alexandra Moraes, critica a abordagem recente do jornal em várias matérias, questionando o compromisso com o jornalismo crítico sem tabus. Em exemplos variados dos últimos dias, o veículo pareceu faltar com prudência e profundidade em coberturas sensíveis. Isso contrasta com os princípios estabelecidos no Manual da Redação.

No Manual da Redação, a Folha promete abordar assuntos com disposição crítica, iluminando problemas e questionando autoridades. No entanto, em episódios recentes, essa postura foi desafiada. Um título como 'Bolsonaro escolhe Flávio' para a disputa de 2026 adotou a versão do filho sem confirmação do ex-presidente, embora o texto usasse 'afirmou ter sido escolhido' com cautela.

Sobre a violência contra mulheres, uma nota destacou o algoritmo de IA criado pelo governo do Paraná, de Ratinho Jr., usando 15 milhões de boletins de ocorrência para mapear riscos. Moraes nota que soou como release oficial, ignorando questões de LGPD, privacidade e eficácia prática na segurança.

O anúncio de Alzheimer do general Augusto Heleno, 78 anos, ex-ministro de Bolsonaro e condenado por tentativa de golpe e organização criminosa, foi tratado sem gerar dúvidas sobre a progressão da doença, dada sua posição anterior. O ministro Alexandre de Moraes solicitou esclarecimentos à defesa e laudo à Polícia Federal em 15 dias, deixando o leitor à espera de resultados oficiais.

A separação de Gilmar Mendes e Guiomar Feitosa, anunciada em 29 de novembro, mencionou viagens conjuntas e amizades duradouras, mas ignorou especulações sobre motivos externos. Em 1º de dezembro, a Folha afirmou que 'não há indícios de que mulher de Moraes tenha envolvimento no caso Master', apesar de o escritório dela ter sido contratado pelo banco para ações judiciais limitadas, sem detalhes divulgados.

No caso de Douglas Alves da Silva, que arrastou Tainara Santos por um quilômetro em São Paulo, causando a perda das pernas dela, o novo secretário de Segurança Pública, Osvaldo Nico, expressou sensibilidade na prisão, mas em entrevista no dia seguinte, não abordou o tema nem cobrou ações, dificultando o combate à sensação de insegurança.

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