A fabricante alemã de PCs Linux Tuxedo Computers pausou o desenvolvimento de seu notebook ARM planejado baseado no chip Snapdragon X Elite da Qualcomm. A decisão segue dezoito meses de trabalho prejudicados por limitações técnicas no suporte ao Linux. A empresa cita o processador como menos adequado para Linux do que o esperado.
A Tuxedo Computers anunciou em 21 de novembro de 2025 que está interrompendo seu projeto para desenvolver um laptop baseado em Linux alimentado pelo system-on-chip Snapdragon X Elite de primeira geração da Qualcomm. A iniciativa, anunciada em junho de 2024 e exibida como o protótipo Elite 14 Gen1 na Computex 2024, visava entregar um dispositivo de alto desempenho com tela de 14 polegadas e até 32 GB de RAM LPDDR5X, rodando Tuxedo OS, uma derivada personalizada do Ubuntu.
Os desafios de desenvolvimento provaram-se intransponíveis para um lançamento comercial. Problemas principais incluíram comportamento de energia ruim no Linux, resultando em autonomia de bateria bem abaixo dos padrões típicos de notebooks ARM apesar de esforços de ajuste. Funções centrais como atualizações de BIOS diretamente do Linux não estavam disponíveis, o controle de ventoinhas não podia ser gerenciado por interfaces padrão do Linux, e a virtualização baseada em KVM não era suportada. O desempenho do USB4 falhou em alcançar as altas taxas de transferência esperadas, e embora a decodificação de vídeo por hardware fosse possível, a maioria dos aplicativos carecia de suporte necessário.
A Tuxedo afirmou que resolver esses problemas exigiria vários meses adicionais de engenharia sem garantia de sucesso, levando a um produto lançado com um processador de dois anos. A empresa observou a chegada iminente do Snapdragon X2 Elite de próxima geração da Qualcomm, esperado para ser enviado na primeira metade de 2026.
Apesar da pausa, a Tuxedo não descartou esforços futuros com hardware ARM. Ela planeja avaliar a adequação do Snapdragon X2 Elite ao Linux assim que o hardware e a documentação estiverem disponíveis. Colaborações com organizações como a Linaro contribuíram para patches do kernel, mas a estabilidade total permaneceu evasiva. Essa decisão ressalta os desafios contínuos na adaptação de chips ARM focados em Windows para ecossistemas Linux.