Uma candidata cadeirante com paralisia cerebral foi alocada em escola sem acessibilidade durante o Enem 2025, impedindo-a de usar o banheiro por oito horas. O erro do Inep gerou transtornos para Sofia Crispim Soares, que precisou ser carregada e lutar por suportes necessários. O instituto prometeu realocação para o próximo dia de prova.
Sofia Crispim Soares, 20 anos, prestou o Enem pela terceira vez no domingo (9 de novembro de 2025), mas enfrentou graves problemas de acessibilidade na Escola Estadual Professor Newton Espírito Santo Ayres, em Osasco, na Grande São Paulo. Apesar de ter indicado na inscrição a condição de cadeirante com paralisia cerebral e solicitado escola acessível, ledor e transcritor, o local não possuía rampas ou elevadores. A entrada principal tem mais de 15 degraus, e a dos fundos, uma escada menor, forçando os aplicadores a carregarem a jovem.
"Como a gente já havia feito a inscrição em outros anos e solicitado esses suportes, o sistema já tinha até salvado as informações da Sofia. Sempre deu certo e nunca tivemos problema, mas, dessa vez, fizeram tudo errado", relatou Denise Crispim, 46 anos, mãe de Sofia. A jovem chegou ao local às 12h e só terminou a prova às 19h30, com uma hora extra para pessoas com deficiência, sem poder usar o banheiro adaptado.
Inicialmente, apenas um ledor foi providenciado, mas após insistência da família, um transcritor foi disponibilizado. Denise sugeriu desistir, mas Sofia recusou: "Mãe, eu me preparei o ano todo, não posso perder essa chance e esperar mais um ano para tentar de novo."
O Inep, responsável pelo exame, notificou o Cebraspe, empresa aplicadora, para realocar Sofia no próximo domingo (16 de novembro). Para o primeiro dia de provas, ela fará a reaplicação em 16 de dezembro. Dos 4,8 milhões de inscritos confirmados, cerca de 165 mil (3,4%) pediram atendimento especial, incluindo 7.700 para salas de fácil acesso.
"O Brasil oferece tão poucas chances para pessoas com deficiência estudarem e, quando alguém consegue concluir o ensino médio, ainda assim enfrenta dificuldades. É muito despreparo e humilhação para essa população", criticou Denise. Ela planeja denunciar o Inep ao Ministério Público por não garantir condições iguais às dos demais candidatos.