O estrategista da Bloomberg Intelligence, Mike McGlone, alertou que o recente deslize do bitcoin pode indicar estresse financeiro mais amplo e uma possível recessão nos EUA. Ele prevê que a criptomoeda pode cair para US$ 10.000 à medida que termina a era pós-2008 de 'comprar na queda' em meio a altas valorizações de ações e baixa volatilidade. O analista de mercado Jason Fernandes vê tal declínio acentuado como um evento de baixa probabilidade que exigiria um choque de crédito severo.
Mike McGlone, estrategista macro da Bloomberg Intelligence, afirmou na segunda-feira que os preços colapsantes das criptomoedas sinalizam estresse financeiro crescente, com o bitcoin potencialmente revertendo para US$ 10.000. Esse declínio, argumentou ele, poderia prenunciar a próxima recessão nos EUA. Em um post no X, McGlone escreveu: «Correção saudável é o que deveríamos ouvir em breve dos analistas do mercado de ações (que arriscam o desemprego se não aderirem), após o colapso das criptos. O mantra de comprar nas quedas desde 2008 pode ter acabado.»</n/nMcGlone ligou a fraqueza do bitcoin a vários indicadores: capitalização de mercado das ações dos EUA em relação ao PIB no nível mais alto em cerca de um século, volatilidade de 180 dias no S&P 500 e Nasdaq 100 no menor nível em cerca de oito anos, e preços crescentes de ouro e prata capturando alfa em um ritmo não visto em meio século. Ele descreveu a bolha cripto como implodindo, com a 'euforia Trump' no pico, potencialmente levando a contágio para as ações. O bitcoin, que subiu para US$ 70.841 às 07:00 UTC em 15 de fevereiro de US$ 65.395 no final de 12 de fevereiro, pairava em torno de US$ 68.800 no meio da manhã de 16 de fevereiro. O mercado cripto mais amplo estava em baixa, com 85 dos 100 principais tokens registrando perdas, incluindo monero e zcash caindo 10% e 8% nas últimas 24 horas.</n/nMcGlone compartilhou um gráfico escalando o bitcoin dividindo por 10, comparando-o ao S&P 500, ambos abaixo de 7.000 em 13 de fevereiro. Ele identificou 5.600 no S&P 500 —equivalente a cerca de US$ 56.000 para o bitcoin— como nível inicial de reversão, com US$ 10.000 possível se as ações dos EUA atingirem o pico.</n/nJason Fernandes, cofundador da AdLunam, contrapôs que uma queda para US$ 10.000 assume que os mercados resolvem extremos por colapso, chamando-o de equivalência falsa. «Os mercados também podem resolver o excesso por meio de tempo, rotação ou erosão inflacionária. Uma desaceleração macro pode significar consolidação ou um reset de US$ 40.000 a US$ 50.000, não um desmonte sistêmico para US$ 10.000», disse Fernandes ao CoinDesk. Ele acrescentou que tal movimento exigiria um evento sistêmico como contração aguda de liquidez e recessão, considerando-o um risco de cauda de baixa probabilidade sem um choque de crédito.</n/nO bitcoin já caiu quase 30% no último mês, apagando US$ 2 trilhões do valor de mercado cripto. Os investidores retiraram US$ 678 milhões dos ETFs de bitcoin em fevereiro, estendendo uma venda de US$ 6 bilhões desde novembro. Ações de tecnologia, que o bitcoin frequentemente segue, enfrentam pressão de temores de disrupção da inteligência artificial, com o ETF de tecnologia da BlackRock caindo 23% no ano até agora e a Microsoft perdendo US$ 357 bilhões em 1º de fevereiro.