A relação entre pais e filhos mudou para uma comunicação constante via telefones móveis, proporcionando tranquilidade aos pais. No entanto, isso cria um contrato digital que concede aos adolescentes liberdade limitada sob vigilância constante. Especialistas em desenvolvimento infantil alertam que pode erodir a confiança e as interações genuínas.
Muitos pais dão telefones móveis aos filhos para se comunicarem 24 horas por dia, garantindo sua segurança. Isso formou um contrato digital onde os adolescentes só podem sair de casa sozinhos se prometerem carregar o telefone o tempo todo e responder imediatamente a mensagens ou chamadas dos pais.
Especialistas em desenvolvimento infantil digital, professores e aqueles que trabalham com adolescentes dizem que esse sistema de vigilância constante exerce uma pressão significativa, especialmente durante a adolescência, quando a independência é crucial. A dependência excessiva de telefones pode reduzir a comunicação real entre pais e filhos, e enfraquecer sua confiança.
"Telefones modernos criaram uma nova condição social onde uma pessoa pode ser alcançada em qualquer lugar que esteja, independentemente do que esteja fazendo. Muitos pais reclamam que seus filhos recebem mensagens durante o tempo em família, mas na realidade, agora são os pais que perpetuam esse comportamento ao exigir respostas imediatas quando ligam", diz a especialista em parentalidade digital Tracy Makiel.
De acordo com Makiel, para muitos jovens, falar com os pais faz parte do aprendizado de autocuidado em espaços públicos enquanto constroem relacionamentos pessoais. No entanto, métodos digitais também fornecem oportunidades para redes criminosas acessarem informações pessoais da família, pois os pais temem a segurança online. Pais frequentemente se comunicam para se tranquilizarem de que seus filhos ainda estão online e responsivos, não para emergências.
Adolescentes entrevistados em um estudo publicado na Psychology Today disseram que os pais ligam ou enviam mensagens para eles mesmo na aula, só para verificar se estão 'online'. O relatório afirma: "A relação digital esperada para fornecer um senso de segurança frequentemente traz sentimentos totalmente diferentes dos pretendidos."