Alberto Núñez Feijóo reconheceu que é quase impossível o PP conquistar uma maioria absoluta nas eleições da Estremadura a 21 de dezembro, forçando o partido a depender do Vox para governar. Enquanto isso, a Junta da Estremadura, liderada por María Guardiola, aprovou 165 milhões de euros em auxílios e investimentos cinco dias antes da votação. Estas medidas visam impulsionar setores como o trabalho autónomo e a saúde, embora gerem controvérsia pelo seu timing eleitoral.
Alberto Núñez Feijóo, líder do PP, baixou as expectativas para as eleições regionais da Estremadura a 21 de dezembro. De Zahínos (Badajoz), admitiu que é « muito, muito, muito difícil » alcançar uma maioria absoluta no contexto atual, com o principal objetivo de obter mais votos que a esquerda para baixar o « preço » do Vox, possivelmente limitando-o à abstenção. Segundo uma sondagem 40dB. para o EL PAÍS, o PP de María Guardiola atingiria 38,8% dos votos (30 assentos), Vox 14% (9 assentos), PSOE 31% (21), e Unidas por Extremadura 8,3% (5). Isso obrigaria o PP a negociar com o Vox, apesar das tensões históricas: em 2023, Guardiola criticou duramente o Vox por negar a violência de género e desumanizar os imigrantes, embora lhe tenha concedido no final uma secretaria. Recentemente, chamou Santiago Abascal « misógino » por sugerir uma mudança de candidata.
No último conselho de governo pré-eleitoral, a Junta aprovou 41 medidas no valor de 165 milhões de euros. Estas incluem um aumento salarial de 2,5% para 2025 (retroativo) e 1,5% para 2026 para os funcionários públicos (110 milhões), auxílios diretos aos trabalhadores autónomos de 960 a 3.000 euros (6,5 milhões para mais de 3.000 empresas), 2 milhões para modernização de microempresas, 6 milhões para melhorias em residências municipais, 1 milhão para obras de eficiência energética em escolas de Cáceres, 11,6 milhões para monitorização da glicose em diabéticos, e 13,8 milhões para transporte sanitário aéreo (2026-2029). No entanto, o anúncio de um novo Parque Científico e Tecnológico em Mérida foi rotulado como « mentira eleitoral » pelo autarca socialista Antonio Rodríguez Osuna, que afirma que fundos europeus foram perdidos.
Feijóo vê a Estremadura como o início de um « efeito dominó » favorável para o PP noutras regiões, erodindo o PSOE. Sobre as críticas de Isabel Díaz Ayuso aos números « mornos », ripostou: « Nunca fui morno na minha vida. » Por ora, não apresentará uma moção de censura contra Sánchez.