A FIFA introduziu ingressos 'Supporter Entry Tier' de US$ 60 para a Copa do Mundo de 2026 em resposta a críticas generalizadas sobre altos custos impulsionados por precificação dinâmica. Embora bem-vinda como um avanço, grupos de torcedores argumentam que a medida é insuficiente, oferecendo acesso limitado a apoiadores leais. O torneio, marcado de 11 de junho a 19 de julho nos EUA, Canadá e México, terá 48 times e 104 jogos.
A Copa do Mundo FIFA de 2026 tem enfrentado escrutínio intenso quanto à acessibilidade dos ingressos, com torcedores e organizações condenando a precificação dinâmica que inflacionou os custos a níveis recordes. Football Supporters Europe (FSE) classificou a abordagem inicial como uma 'traição monumental', estimando que seguir um time até a final poderia custar mais de US$ 8.000, mesmo com as opções mais baratas. A Associação Croata de Futebol estimou o preço da final no MetLife Stadium em mais de US$ 4.200.
Em uma concessão parcial, a FIFA lançou o Supporter Entry Tier a US$ 60 por ingresso para todos os 104 jogos, direcionado a torcedores leais das nações participantes. No entanto, esses representam apenas 1,6 % dos ingressos por jogo – cerca de 660 no MetLife Stadium com capacidade para 82.500 – e são limitados aos 'top cappers' de uma nação nas campanhas de qualificação. Essa alocação vem da cota existente de 8 % das associações membros participantes (PMA), sem aumentar as cotas totais. Outros 40 % dos ingressos PMA caem no Supporter Value Tier, começando em US$ 220 para jogos da fase de grupos da Inglaterra – o dobro do preço da final da Euro 2024 contra a Espanha.
A FSE saudou a mudança como reconhecimento do 'dano' causado, mas afirmou que 'não vai longe o suficiente', com apenas algumas centenas de torcedores por jogo se beneficiando da tarifa de US$ 60, enquanto a maioria enfrenta 'preços extorsivos'. Billy Grant, um torcedor inglês que compareceu a todas as Copas desde 1986, chamou a política de 'injustificável' e disse que criou 'muito mau sentimento'. Ele acrescentou: 'A FIFA, na prática, virou o nariz para os torcedores que fizeram o jogo ser o que é.'
A FIFA citou demanda sem precedentes, com 20 milhões de pedidos já, e defendeu o modelo como alinhado às práticas de mercado norte-americano para grandes eventos. A revenda em sua plataforma não impõe limites de preço, agravando as surtidas. Em contraste, a Euro 2024 da UEFA ofereceu 14 % dos ingressos via o acessível Fans First, a US$ 32 para fases de grupos e US$ 103 para a final, possibilitando atmosferas vibrantes como 100.000 torcedores escoceses em Stuttgart.
Grant preocupa-se que, sem acesso mais amplo, o torneio de 2026 corra risco de plateias inautênticas, com 'turistas do futebol' enchendo os assentos, mas sem as canções e tradições de torcedores dedicados. Como entidade sem fins lucrativos, a FIFA é instada a priorizar distribuição baseada em mérito sobre compradores endinheirados.