Um laudo pericial no processo de recuperação judicial da Fictor revelou irregularidades em endereços de várias subsidiárias, questionando sua inclusão no plano de reestruturação. A companhia argumenta que isso poderia comprometer suas operações, enquanto credores apontam confusão patrimonial. O Tribunal de Justiça de São Paulo concedeu suspensão temporária de execuções contra a holding.
O laudo emitido pela Laspro Consultores, no âmbito do pedido de recuperação judicial da Fictor Holding e Fictor Invest, identificou inatividades e irregularidades em múltiplos endereços de subsidiárias. Esses achados são cruciais para definir se empresas como Fictor Alimentos, Fictor Real Estate e Fictor Energia serão incluídas na reestruturação, conforme solicitado pelos credores.
A Fictor, que declarou dívidas acima de R$ 4,2 bilhões – influenciadas pela falha na aquisição do Banco Master –, alega que as subsidiárias são essenciais para a geração de caixa e possuem governança independente. No entanto, os credores contestam o modelo de gestão, citando desvio de finalidade e sobreposição de diretores.
Inspeções revelaram ausência de atividades em locais como Rio Verde (GO), onde a Fictor Agro Comércio de Grãos Ltda. teria saído há um ano; Cocalzinho (GO), com uma pousada sem indícios da Dynamis Clima SPE; e Manaus (AM), sem vestígios da FW SPE Solar 2 Ltda. Em Rio das Flores (RJ), a estação solar da Komorebi SCP carecia de sinalização. Na Jacarepaguá (RJ), a Rica negou vínculo com a Fictor, mencionando rescisão de contrato por descumprimento.
Na sede em São Paulo, o espaço estava em desmontagem, com redução de 200 para 60 funcionários. Alguns endereços, como os da Fictor Energia e Dr. Foods Alimentos, operavam normalmente, mas faltava transparência documental. O laudo apontou inconsistências em ativos e opacidade nas Sociedades em Conta de Participação (SCPs), usadas para captação de recursos.
O Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu, por 30 dias, execuções judiciais relacionadas a créditos. O advogado Vitor Gomes de Mello, representando credores, requereu complementação do laudo, incluindo análises sobre denúncias de pirâmide financeira e confusão patrimonial. A Fictor não foi localizada para comentários.