Dois ex-governadores do PAN, agora senadores, admitiram possuir concessões de água em meio a acusações de acaparamento durante o debate da Lei da Água. Francisco Ramírez Acuña e Miguel Márquez Márquez afirmaram que suas permissões são legais e abertas a revisão. Ricardo Anaya rebateu ameaçando expor concessões maiores detidas por membros do oficialismo.
A Câmara dos Deputados do México aprovou a Lei da Água, promovida pela presidente Claudia Sheinbaum, que regula o uso da água em processos produtivos como a agricultura, garantindo disponibilidade para todos. A lei torna o Estado mexicano unicamente responsável pela regulação da água, proíbe trocas entre particulares e atribui a distribuição à Comissão Nacional de Água (Conagua). Ela estabelece um Registro Nacional de Água para maior transparência nas concessões.
No Senado, durante as discussões iniciadas em 4 de dezembro de 2025, o morenista Gerardo Fernández Noroña acusou o PAN de acaparar água, chamando-o de 'PAAN' e ameaçando expor concessões detidas por senadores como Francisco Ramírez Acuña, Miguel Márquez Márquez e Marko Cortés. Ramírez Acuña, ex-governador de Jalisco, defendeu sua concessão para 27 hectares de limões em Tototlán, Jalisco, que requer 260.000 litros anuais para uma produção de 300 toneladas. Ele afirmou que foi concedida quando não era funcionário público e ofereceu cancelamento se forem encontradas irregularidades: 'Estamos dispostos a que as autoridades nos revisem'.
Miguel Márquez Márquez, ex-governador de Guanajuato, revelou duas concessões: uma com 50 anos e 150.000 metros cúbicos para 30 hectares, e outra com 15 anos para 15 hectares agrícolas. Ele insistiu que não há desvios: 'A água é inodora, incolora, insípida; não vamos adicionar barulho e carniça política'. Ambos negaram acaparamento e apoiaram ações contra verdadeiros acaparadores.
O coordenador do PAN, Ricardo Anaya, retaliou ameaçando 'queimar' um senador do oficialismo que detém três vezes mais volume de água do que todos os membros do PAN juntos, citando documentos da Conagua. Produtores rurais protestaram em San Lázaro com tratores e ameaçam boicotar a celebração de Sheinbaum no Zócalo. Marko Cortés não comentou.
Nota: Fontes contradizem sobre o volume da concessão de Ramírez; uma menciona 25.000 metros cúbicos acusados e uma necessidade de pelo menos 260 (unidade incerta), enquanto outra detalha 260.000 litros.