O presidente Gustavo Petro alertou novamente sobre um possível default na Colômbia se o Congresso não aprovar a lei de financiamento para arrecadar cerca de 16 trilhões de pesos. No entanto, o presidente da Anif, José Ignacio López, descartou esse cenário, afirmando que bastaria um corte orçamentário. O debate nas comissões econômicas do Congresso foi suspenso por falta de quórum e será retomado na terça-feira.
O presidente Gustavo Petro reiterou durante o Conselho de Ministros a ameaça de um default se a reforma tributária, destinada a arrecadar 16,5 trilhões de pesos dos mais ricos, não for aprovada. «Há perigos no sistema fiscal, perigos que se tornam realidade se o Congresso não aprovar a lei de financiamento. Mas se estiver sob ordens de Cepeda, iríamos a um possível default que eu evitaria a todo custo hoje», declarou Petro. Ele acrescentou que a medida reduziria os custos da dívida e equilibraria o impacto de 79 trilhões de pesos pagos em três anos como despesa sem receitas correspondentes.
O ministro do Interior, Armando Benedetti, respaldou o alerta: «O risco e a desconfiança no pagamento da dívida externa crescem porque 10 senadores da Terceira Comissão querem afundar a lei de financiamento, que é o respaldo para garantir seu pagamento.»
Em contraste, o presidente da Anif, José Ignacio López, ao falar no Congresso de Infraestrutura em Cartagena, rejeitou a possibilidade de default. «Esses chamados são feitos para ambientar a discussão política, mas é uma afirmação imprecisa porque as necessidades de financiamento do governo são as mesmas com ou sem a lei de financiamento», disse ele. Segundo a Anif, sem a reforma, o Orçamento Geral da Nação (PGN) de 2025 seria cortado em 16,3 trilhões, ficando em 530,6 trilhões, exigindo reduções nas despesas, que representam mais de 65% do montante.
O debate nas comissões econômicas do Congresso começou tarde e foi suspenso por falta de quórum na quarta-feira, adiado para terça-feira. Inicialmente, o projeto visava 26 trilhões, mas foi reduzido para 16 e possivelmente para 10. O ministro da Fazenda, Germán Ávila Plazas, defendeu sua necessidade para financiar o orçamento de 2026 e evitar desequilíbrios fiscais. Opositores como o senador Ciro Ramírez criticaram o déficit fiscal: «Quando você gasta mais do que ganha, tem déficit. Senhor Gustavo Petro, aperte o cinto e não cobre mais impostos dos colombianos.» O senador Efraín Cepeda chamou de «a crônica de uma morte anunciada».
Não é a primeira vez que Petro menciona um default; ele o fez em maio e junho de 2024 diante de rejeições anteriores de reformas semelhantes.