O governo colombiano continua pressionando pela venda da participação da Ecopetrol na bacia do Permiano nos Estados Unidos, apesar da negação explícita da companhia petrolífera. Esse acordo implicaria renunciar a 15% da produção de hidrocarbonetos, ou 115.000 barris diários. A disputa surge em meio ao impulso do presidente pela transição energética.
A controvérsia entre o governo colombiano e a Ecopetrol continua em torno do futuro da bacia do Permiano, um ativo da companhia petrolífera nos Estados Unidos explorado por fracking que representou 15% da produção de hidrocarbonetos no final do primeiro semestre, com 115.000 barris diários em junho, um aumento significativo em relação aos 5.200 barris por dia há cinco anos.
Após a Assembleia Geral Extraordinária de Acionistas, na qual o Ministro da Fazenda Germán Ávila atuou como presidente, Ávila afirmou que estão revisando a opção de desinvestir nesse reservatório não convencional. «Faz parte de todas as demandas feitas pelo presidente em favor da transição energética. A intenção é que a Ecopetrol assuma um papel de liderança em outras áreas de produção no país. Estamos avançando nesse caminho, acreditamos que o processo precisa ser acelerado, mas é uma dinâmica que não acontece da noite para o dia», observou Ávila.
No entanto, a Ecopetrol informou à Controladoria na semana passada que, para o ano fiscal de 2024 e até o momento, não apresentou nenhuma proposta de desinvestimento do Permiano ao seu Conselho de Administração, de modo que nenhum impacto foi avaliado. A bacia gera 14% do EBITDA da empresa, e a Controladoria estima que sua venda causaria uma queda de 30% no valor das ações.
A Procuradoria Geral da Nação abriu uma investigação sobre a possível venda das ações do Permiano. Além disso, a inclusão de um representante dos trabalhadores no Conselho de Administração poderia dificultar a operação. A União Sindical dos Trabalhadores da Ecopetrol (USO) rejeita firmemente a venda, argumentando que é o negócio mais rentável, com custos de extração de US$ 5 a US$ 6 por barril, em comparação com mais do dobro nos campos nacionais. «Se essa decisão de vender a Ecopetrol Permian se materializar, o que colocaria a empresa em risco, nosso sindicato não terá outra escolha a não ser tomar ações decisivas de mobilização e protesto contra essas medidas que enfraquecem a empresa», declarou a USO.