Dispositivo manual desinfeta água com nanopartículas

Pesquisadores desenvolveram um frasco simples acionado manualmente que usa nanopartículas para remover patógenos da água potável em segundos, oferecendo uma solução para áreas sem conexão à rede. O dispositivo é ativado por agitação manual, gerando produtos químicos que destroem micróbios sem necessidade de eletricidade ou luz solar. Ele visa parasitas, bactérias, vírus e fungos, alcançando altas taxas de redução em testes.

Xu Deng, da Universidade de Ciência e Tecnologia Eletrônica da China em Chengdu, liderou a equipe na criação deste dispositivo de prova de conceito para enfrentar desafios no tratamento de água descentralizado. "Continuávamos esbarrando no mesmo obstáculo no tratamento de água descentralizado", explicou Deng. "A maioria das opções de uso pontual requer eletricidade ou luz solar forte, e são lentas."

A invenção apresenta nanopartículas de sílica esféricas revestidas com grupos amina de carga positiva e nanopartículas de ouro que se tornam negativamente carregadas durante a agitação. Os usuários adicionam uma pequena dose deste pó projetado à água em um frasco com alça de manivela. "Algumas voltas da alça criam uma cisalhamento suave na água e esse movimento ‘acorda’ nossas nanopartículas", disse Deng. Esse processo gera espécies de oxigênio reativo nas superfícies das nanopartículas, que formam cargas elétricas e oxidam patógenos.

"Essas espécies de oxigênio reativo perfuram buracos nas membranas microbianas, então os patógenos não podem sobreviver ou se reproduzir", acrescentou Deng. Uma vez que a agitação para, o pó assenta, permitindo que a água limpa seja retirada de uma saída. A equipe testou contra 16 patógenos de alto risco, alcançando uma redução de 99,9999 por cento em Escherichia coli após 15 segundos de agitação a 50°C e o mesmo para Vibrio cholerae em um minuto. No geral, inativou mais de 95 por cento dos microrganismos testados.

As partículas são reutilizáveis após cada ciclo e fornecem horas de proteção contra recontaminação. Os custos são baixos, dominados por pó de sílica e carcaça de plástico, com quantidades de ouro insignificantes. Chiara Neto, da Universidade de Sydney, elogiou o trabalho: "É muito inteligente, um trabalho fantástico." Os achados aparecem em Nature Nanotechnology (DOI: 10.1038/s41565-025-02033-9). Embora promissor para zonas de desastre e comunidades remotas, o dispositivo ainda não foi escalado para determinar a capacidade por lote.

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