Rubens Kuhl, figura marcante na comunidade de tecnologia brasileira, faleceu em 3 de novembro devido a complicações de um câncer. Especialista em segurança de redes, ele contribuiu significativamente para o desenvolvimento da internet no país. Deixa esposa, filhos e mãe.
Rubens Kuhl demonstrou interesse precoce por eletrônica. Aos nove anos, construiu um rádio de galena com base em um projeto de revista emprestada do tio, para captar comunicações de aviões. Sua mãe, Vera de Moraes, de 80 anos, notou então sua inclinação além das brincadeiras infantis, embora ele também jogasse futebol com amigos.
Na adolescência, em São Paulo, Kuhl formou amizade com Pedro Quintanilha, de 56 anos, durante aulas de informática nos anos 1980. Juntos, aos 15 anos, desenvolveram um sistema para uma empresa de exportação de madeira e criaram uma empresa fictícia para publicar artigos na revista Micro Sistemas. Antes da internet comercial no Brasil, usavam plataformas BBS, como o Canal VIP, para trocar mensagens com entusiastas.
Kuhl optou por engenharia elétrica na USP em vez do ITA. Profissionalmente, lecionou, consultou e liderou a segurança de redes no UOL. Nos últimos 15 anos, atuou no NIC.br, entidade civil que gerencia o desenvolvimento da internet e registros de domínios no Brasil. Lá, ajudou a criar domínios como .uol e .rio, segundo o amigo Frederico Neves, diretor de serviços e tecnologia do NIC.br, que o descreveu como "extremamente eclético", capaz de discutir qualquer assunto.
Ativo em debates, coordenava encontros de comunidades de engenharia de redes. Casado há 20 anos com Marcia Nagaoka Kuhl, de 48 anos, dentista que brincou: "Isso de TI é coisa de outro mundo para mim". Compartilhavam gosto por The Smiths e The Cure. Com o filho Klaus, de 11 anos, jogava futebol e xadrez, e se apelidavam de "formiguinhas" pelo amor a doces. A família inclui também a filha Lena, de 3 anos.