O julgamento disciplinar contra a juíza Julieta Makintach por seu envolvimento em um documentário não autorizado sobre o caso Maradona avançou com testemunhos que complicaram sua posição, mas foi suspenso na sexta-feira devido a uma falta de energia. Testemunhas, incluindo promotores, policiais e um cinegrafista, confirmaram que ela autorizou as gravações. A audiência será retomada na segunda-feira, 10 de novembro.
A juíza Julieta Makintach, de 48 anos, enfrenta um júri disciplinar em La Plata devido ao escândalo que eclodiu em maio de 2025, quando imagens dela em um documentário intitulado 'Justicia Divina' durante o julgamento pela morte de Diego Armando Maradona foram reveladas. Isso levou à sua recusa e ao anulação dos procedimentos, que incluíam 21 audiências e 44 declarações de testemunhas. O novo julgamento contra os sete profissionais de saúde acusados será retomado em 17 de março de 2026.
Nos dois primeiros dias do júri, realizado no Porão do Anexo à Câmara do Senado de Buenos Aires, Makintach se defendeu afirmando: 'Foi uma pedra no caminho que eu tropecei sem medir as consequências. Gostaria que alguém tivesse vindo me dizer "você está colocando o debate em risco"'. A promotora Analía Duarte acusa a ex-chefe do Tribunal Oral em Materiais Penais Nº2 de San Isidro de ter concordado em participar do projeto audiovisual por motivos comerciais, prejudicando a imagem do Judiciário argentino.
Os testemunhos incluíram o promotor Patricio Ferrari, que disse: 'O dano é muito grande porque temos que recomeçar o processo judicial. Não houve autorização para filmar um documentário'. A policial Malen Itatí Romero relatou que Makintach pediu a ela para 'deixar alguns amigos entrarem' com uma mochila, e Daniela Barrionuevo confirmou que ela permitiu câmeras dentro, o que é proibido. O cinegrafista Jorge Ignacio Huarte, contratado pela produção LaDoble por 550.000 pesos mais IVA, observou que a roteirista era María Lía Vidal, 'La Negra', e que lhe foi dito para focar na juíza.
O juiz Ariel Introzzi, colega de Makintach, testemunhou: 'Não é que ela se prestou, é um papel principal que a Dra. Makintach decidiu manter. Todas as imagens capturadas no início não poderiam ter sido feitas sem as autorizações e permissões da Dra.'. As promotoras Carolina Asprella e José Amallo também testemunharam, mas a segunda audiência foi suspensa devido a 'falta de energia' e água do ar-condicionado. Os juízes Maximiliano Savarino e Verónica Di Tomasso, esperados para testemunhar, retornarão na segunda-feira, 10 de novembro, às 9h.
Makintach alegou que o projeto era uma proposta de um 'amigo', sem intenção de um documentário, mas as testemunhas contradizem essa versão, confirmando seu conhecimento e autorização.