A Comissão de Investigação da Argentina sobre a criptomoeda $Libra aprovou seu relatório final na Câmara dos Deputados, acusando o presidente Javier Milei de conduta imprópria por promover um suposto esquema de fraude. Assinado por 14 de 28 deputados, o documento denuncia a falta de cooperação do governo e obstruções judiciais. Recomenda que o Congresso avalie violações éticas e busque reformas institucionais.
Na terça-feira, 18 de novembro de 2025, a Comissão de Investigação sobre a Criptomoeda $Libra apresentou seu relatório final na Sala 1 do Anexo A da Câmara dos Deputados. O documento, redigido por deputados incluindo Juan Marino, Oscar Agost Carreño, Sabrina Selva, Fernando Carbajal, Mónica Frade e Maximiliano Ferraro, com contribuições de Itaí Hagman e Julia Strada, descreve um suposto golpe com responsabilidade direta do presidente Javier Milei.
O relatório vincula $Libra a padrões anteriores no Protocolo KIP (dezembro de 2024), Vulcano e CoinX, envolvendo Mauricio Novelli, Manuel Terrones Godoy e Milei em promoções. Durante a interpelação de Guillermo Francos em 30 de abril, ele admitiu que não houve consultas técnicas ou legais antes do tuíte presidencial promovendo o token. Ferraro afirmou: “O presidente teria promovido uma iniciativa privada. Ele usou seu cargo para benefícios privados”.
Acusa violações de dever por funcionários como Alejandro Melik, Florencia Zicavo, Mariano Cúneo Libarona, Paulo Starc e Roberto Silva, que não compareceram. Marino chamou a operação de “um golpe planejado”, com 80% das carteiras perdendo dinheiro e apenas uma minoria ganhando milhões. As figuras mostram 114.410 carteiras afetadas e 1.329 argentinos envolvidos, seguindo um padrão de 'rug-pull' após o impulso presidencial.
O texto denuncia obstruções pelo juiz Marcelo Martínez de Giorgi e pelo promotor Eduardo Taiano, pedindo processos de impeachment contra eles. Recentemente, Ferraro e outros entregaram documentação ao Ministério Público nº 3 sobre possíveis pagamentos a funcionários. Nos EUA, a juíza Jennifer Rochon observou que US$ 57,5 milhões em fundos congelados podem pertencer a Milei, Karina Milei ou Hayden Davis.
As conclusões recomendam avaliar a conduta presidencial imprópria, reformas éticas, regulamentação de cripto e a criação de um Escritório de Investigações Congressuais. O bloco oficial, via Nicolás Mayoraz, descartou o relatório como uma “delírio da oposição”, citando assinaturas insuficientes de 15, embora a oposição o veja como um relatório não vinculante.