Lula indica Jorge Messias para vaga no STF e gera reações divididas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou o advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar a vaga no Supremo Tribunal Federal deixada por Luís Roberto Barroso. A escolha, anunciada em 20 de novembro de 2025, no Dia da Consciência Negra, recebeu elogios de entidades jurídicas, mas críticas de grupos que defendem maior diversidade na corte. No Senado, a indicação contrariou líderes e pode complicar a aprovação.

A indicação de Jorge Messias ao STF foi feita por Lula após reunião no Palácio da Alvorada, em Brasília. Messias, chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), é descrito como um profissional de capacidade técnica e bom diálogo institucional pela Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe). O Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz) classificou a nomeação como um 'marco histórico', sendo a primeira vez que um procurador da Fazenda chega à corte, valorizando o trabalho na defesa do patrimônio público.

'A Ajufe estará à disposição para contribuir com o fortalecimento de um Poder Judiciário independente', afirma a nota da entidade. O ministro André Mendonça, também evangélico como Messias, parabenizou a indicação e prometeu apoio no diálogo com senadores: 'Messias terá todo o meu apoio no diálogo republicano junto aos Senadores'.

No entanto, organizações como Fórum Justiça, Plataforma Justa e Themis Gênero e Justiça criticaram a escolha por reforçar a exclusão de mulheres e negros no Judiciário. Atualmente, o STF tem apenas uma mulher, Cármen Lúcia, e maioria de homens brancos. 'A decisão repete um padrão histórico de exclusão', diz nota conjunta, cobrando paridade de gênero e raça em nomeações futuras. O reitor José Vicente, da Universidade Zumbi dos Palmares, lamentou: 'Perde a República, perde a sociedade'.

Do lado político, o deputado Otoni de Paula (MDB-RJ) celebrou Messias como 'genuinamente evangélico', prevendo equilíbrio em pautas conservadoras. Já o líder do PL, Sóstenes Cavalcante, chamou-o de 'prevaricador' e prometeu barrar a indicação com Alcolumbre. O senador Jorge Seif (PL-SC) criticou ações da AGU sob Messias, como perseguição a jornalistas, afirmando que 'a fé cristã não serve como escudo'.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), contrariado por não ter sido consultado e preferir Rodrigo Pacheco, anunciou a votação de projetos incômodos ao governo, como aposentadoria especial para agentes de saúde, com impacto estimado em R$ 5,6 bilhões em cinco anos. A proposta vai ao plenário em 25 de novembro. Messias passará por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e votação no plenário, precisando de 41 votos para aprovação até 2055.

Este site usa cookies

Usamos cookies para análise para melhorar nosso site. Leia nossa política de privacidade para mais informações.
Recusar