O criador sevilhano Lucas Melcón, conhecido como Malacara, afirma que as pessoas discutem abertamente a deterioração do sistema de saúde nas ruas da Andaluzia antes das eleições. Em entrevista ao EL PAÍS, ele explica que preocupações cotidianas como saúde, moradia e educação dominam as conversas. Ele mantém-se afastado da atual campanha, observando de fora.
Lucas Melcón, de 34 anos, natural de Puerto Real (Cádiz), é conhecido pelo seu personagem Malacara, utilizando o dialeto andaluz nas redes sociais e em camisetas com frases como “Arle caso a tu mare” ou “No te preocupe, también te va a keá carvo”. Ele colaborou em campanhas políticas no passado, mas agora limita o seu envolvimento a designs de vestuário.
Em entrevista ao EL PAÍS publicada em 2 de maio de 2026, Malacara descreve as campanhas eleitorais como “um terreno muito complicado”, marcado por “descontrole e frenesi”. “Fico feliz por estar por conta própria desta vez e ver a tourada da barreira”, declara. Ele observa que a política aparece na vida cotidiana, em “ausências ou presenças” visíveis nas janelas.
Sobre as eleições andaluzas, ele nota uma mudança: há 40 anos, os debates giravam em torno de aborto, drogas ou eutanásia, mas agora focam em moradia, saúde e educação. “Pela primeira vez, as pessoas falam abertamente sobre a deterioração do sistema de saúde. É um assunto comentado nas ruas ou nos bares, porque você não sabe se haverá um médico ou quando será atendido”, diz ele.
Malacara autointitula-se “um animal político”, mas evita um envolvimento profundo em meio a um clima “quase violento”. Sobre os quase 40% de eleitores indecisos a duas semanas das eleições, ele alerta: “As pessoas precisam saber que muitas coisas estão em jogo”. Se fundasse um partido, seria focado na Andaluzia, valorizando a identidade local, brincando com ideias como “Fora influenciadores da feira”.