A Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso revogou a suspensão e autorizou o Santuário de Elefantes Brasil a receber novos animais, após análise técnica que não identificou riscos sanitários. A decisão veio uma semana após a morte da elefanta Kenya, em dezembro de 2025. O Ibama planeja vistoria conjunta nas próximas semanas.
A Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso publicou um parecer técnico em 12 de fevereiro de 2026, autorizando novamente o Santuário de Elefantes Brasil, localizado em Chapada dos Guimarães, a receber novos animais. A suspensão havia sido imposta em 23 de dezembro de 2025, logo após o falecimento da elefanta Kenya, de 44 anos, que havia chegado ao local há cinco meses, transferida de um zoológico na Argentina com condições inadequadas.
O governo estadual concedeu 60 dias para o santuário apresentar esclarecimentos sobre o caso. Em janeiro de 2026, a instituição solicitou formalmente a reconsideração da proibição. O parecer concluiu que não há risco sanitário no local.
Em nota, o santuário expressou satisfação com a liberação. "A decisão reforça a capacidade técnica do nosso trabalho e valida a transparência e a ética que orientam, diariamente, todas as nossas práticas e procedimentos", afirmou a entidade, destacando o compromisso com autoridades e protocolos.
O Ibama, que acompanha o caso de forma complementar à secretaria estadual, responsável pela licença, informou que realizará uma vistoria conjunta nas próximas semanas, após revisar os documentos enviados.
Outras mortes ocorreram no santuário ao longo dos anos: a elefanta Pupy, de 35 anos, chegou em abril de 2025 da Argentina e faleceu em outubro; Pocha, de 57 anos, transferida em maio de 2022, morreu em outubro do mesmo ano; e Ramba, com idade entre 60 e 65 anos, faleceu em dezembro de 2019, dois meses após sua chegada.
Segundo o santuário, esses óbitos ocorreram em quase uma década, com causas distintas, sem conexão epidemiológica, envolvendo animais idosos resgatados de cativeiro inadequado, incluindo eutanásias humanitárias. O Ibama observou que a maioria dos elefantes vem de circos ou outros países, muitos idosos com comorbidades, direcionados ao local para melhor qualidade de vida e manejo.
A proibição impactou a reputação do santuário e processos de transferência de outros animais, como Sandro, em Sorocaba (SP), e Baby, no antigo zoológico do Beto Carrero, em Penha (SC).