Na sua homilia da Epifania, o Papa Leão XIV transmitiu uma mensagem incómoda aos líderes políticos globais, comparando-os a Herodes por reagirem com medo e violência à mudança. O pontífice sublinhou a necessidade de uma racionalidade aberta, inspirada nos Magos, particularmente relevante para a América Latina assolada por instabilidade e corrupção.
O Papa Leão XIV proferiu a sua homilia durante a celebração da Epifania, recordando que a festa significa uma irrupção divina que transforma tudo: traz alegria aos pastores e aos Magos, mas medo a Herodes. No contexto atual, identificou numerosos caudilhos, regimes e elites como figuras herodianas que respondem ao medo com manipulação e violência, transformando a política em mera defesa do poder. nnA América Latina exemplifica esta dinâmica, segundo a mensagem. Na Venezuela, a situação é retratada como um sequestro por uma conjuntura que equipara estabilidade à imobilidade e soberania à incerteza. A Colômbia permanece presa num processo de paz confuso em meio a economias ilegais em ascensão e corrupção persistente. nnO pontífice condenou também uma economia deformada que explora a sede humana por um futuro melhor, reduzindo os migrantes a números e transformando conflitos e desastres em oportunidades de corrupção. A polarização, acrescentou, serve para deslegitimar as instituições. nnEm contraste, os Magos simbolizam o ‘homo viator’, pessoas em jornada dispostas a correr riscos e buscar novas respostas, deixando para trás os centros de poder. A esperança, afirmou, emerge das periferias como comunidades de conhecimento, territórios produtores de alimentos e economias locais que sustentam a saúde, a educação e a democracia. nnA Epifania chama a conversas partilhadas e alianças rumo a uma visão comum para além do curto prazo. Para uma região de exílio, suspeita e ressentimento, oferece uma oportunidade histórica de restaurar a confiança e a fé no coletivo, construindo o futuro a partir da audácia de seguir uma estrela guia, não a partir de palácios de poder.