Papa remove bispo de Cádiz por acusações de pedofilia

O papa Leão XIV aceitou no sábado a demissão do bispo de Cádiz e Ceuta, Rafael Zornoza, em meio a um escândalo sobre alegações de abusos dos anos 1990. A medida vem 12 dias após o EL PAÍS revelar a investigação canônica do Vaticano, aberta há quatro meses. Zornoza, que nega as acusações, concentrar-se-á em tratamentos médicos para o cancro e na sua defesa.

No sábado, 22 de novembro de 2025, a Sala de Imprensa da Santa Sé anunciou que o papa Leão XIV aceitou a demissão de Rafael Zornoza, bispo de Cádiz e Ceuta desde 2012, apresentada automaticamente ao completar 75 anos em 2024. Esta ação segue a revelação do EL PAÍS a 10 de novembro de uma investigação canônica lançada pelo Vaticano em julho sobre alegações de abusos sexuais a um menor quando Zornoza era padre em Getafe nos anos 1990.

A vítima, que denunciou ao Dicastério para a Doutrina da Fé, descreveu abusos a partir de 1994, com 14 anos, até aos 21. «Foi à noite quando ele vinha ao quarto e eu sofria os abusos. Ele entrava na minha cama, acariciava-me e beijava-me», escreveu na sua carta, a que o EL PAÍS teve acesso. Os incidentes, prescritos no civil, envolveram toques e beijos em campos e no seminário, onde Zornoza o submeteu a terapia de conversão após confessar a sua homossexualidade. O bispo emérito publicou um comunicado no site diocesano agradecendo ao papa pela «sua compreensão e proximidade paternal» e chamando a acusação de «injusta e falsa».

A Conferência Episcopal Espanhola nomeou Ramón Darío Valdivia Giménez, bispo auxiliar de Sevilha, como administrador apostólico, que declarou: «Espero servir como ajuda enquanto estiver entre vós». Trata-se da primeira vez em Espanha que um bispo enfrenta uma investigação canônica por pedofilia, tratada pelo Tribunal da Rota em Madrid. O papa explicou na terça-feira que «devemos permitir que a investigação continue», mas o atraso contrasta com as recomendações da Comissão Pontifícia para os Menores de acelerar as remoções.

O caso resulta da investigação do EL PAÍS em 2018 que documenta 2.958 vítimas e 1.570 acusados, destacando falhas na gestão eclesiástica, com Zornoza a manter contacto com menores durante meses após o relatório.

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