Cientistas da Universidade Hebraica de Jerusalém descobriram que o campo magnético da luz desempenha um papel significativo no Efeito Faraday, desafiando quase 200 anos de compreensão científica. Suas descobertas mostram que este componente magnético contribui diretamente para como a luz interage com materiais. A pesquisa abre potenciais avanços em óptica e spintrónica.
Por quase dois séculos, o Efeito Faraday — onde a polarização da luz gira ao passar por um material em um campo magnético — foi explicado unicamente pela interação do campo elétrico da luz com cargas elétricas na matéria. Um novo estudo liderado pelo Dr. Amir Capua e Benjamin Assouline do Instituto de Engenharia Elétrica e Física Aplicada da Universidade Hebraica de Jerusalém derruba essa visão. Publicado em Scientific Reports em 20 de novembro de 2025, a pesquisa demonstra que o campo magnético oscilante da luz também exerce uma influência direta ao interagir com spins atômicos.
A equipe usou cálculos avançados baseados na equação de Landau-Lifshitz-Gilbert, que modela o comportamento de spins em materiais magnéticos, para quantificar esse efeito. Eles aplicaram seu modelo ao Granato de Térbio Gálio (TGG), um cristal comum para estudar o Efeito Faraday. Os resultados indicam que o componente magnético representa cerca de 17% da rotação no espectro visível e até 70% no infravermelho.
"Em termos simples, é uma interação entre luz e magnetismo", diz o Dr. Capua. "O campo magnético estático 'torce' a luz, e a luz, por sua vez, revela as propriedades magnéticas do material. O que encontramos é que a parte magnética da luz tem um efeito de primeira ordem, surpreendentemente ativa nesse processo."
Capua explica ainda: "Em outras palavras, a luz não apenas ilumina a matéria, ela a influencia magneticamente."
Benjamin Assouline acrescenta: "Nossos resultados mostram que a luz 'fala' com a matéria não apenas através de seu campo elétrico, mas também através de seu campo magnético, um componente que foi amplamente ignorado até agora."
Essa compreensão revisada pode abrir caminho para inovações no armazenamento de dados ópticos, spintrónica e controle magnético baseado em luz, potencialmente auxiliando a computação quântica baseada em spins.