O primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez descreveu do Brasil a incapacidade de aprovar orçamentos para toda a legislatura como um mero procedimento, afirmando que a Espanha vive um de seus melhores momentos. Apesar do bloqueio de Junts e da perda de parceiros chave, Sánchez insiste em continuar sua rota sem convocar eleições. Enquanto isso, pede eleições na Comunidade Valenciana devido à crise após a renúncia de Carlos Mazón.
O primeiro-ministro Pedro Sánchez, em uma aparição à imprensa em Belém (Brasil) durante a COP30, defendeu sua gestão em meio à paralisia orçamentária. « Com ou sem novos orçamentos, a Espanha avançará e o governo continuará com sua rota », declarou o presidente, minimizando o impacto do fracasso em aprovar as contas públicas para toda a legislatura. Ele recorda que seu governo executou mais fundos europeus do que qualquer outro, impulsionando o crescimento econômico e a modernização do tecido produtivo.
O bloqueio vem de Junts, liderado por Carles Puigdemont, que rejeita todas as iniciativas não acordadas previamente, certificando o fracasso dos orçamentos. Em dois anos, o Executivo perdeu dois parceiros chave: Junts (sete assentos) e Podemos (quatro), totalizando onze votos que podem invalidar medidas no Congresso. Isso afeta pelo menos seis leis em processo necessárias para os fundos europeus, como a Lei da Indústria, a Lei das Famílias ou a Lei de Equidade, Universalidade e Coesão do Sistema Nacional de Saúde.
Sánchez insiste em apresentar os orçamentos ao Congresso, embora saiba que serão rejeitados, sem especificar uma data. Ele se apega a dados positivos: « A Espanha vive um de seus melhores momentos nos últimos 45 anos », com crescimento econômico, criação de empregos, redução da desigualdade, projeção internacional e paz social. Ele evita convocar eleições nacionais, mas as exige na Comunidade Valenciana, criticando a maioria « negacionista » PP-Vox por enfraquecer a resposta à emergência climática após a renúncia de Mazón.
A estratégia de Sánchez visa normalizar o excepcional, semelhante à sua frase « fazer uma virtude da necessidade » durante a Lei de Anistia, e alertar contra a extrema-direita para manter seus parceiros unidos.