Pedro Pablo Larraín, presidente da Sartor, apresentou uma queixa-crime contra Solange Berstein, chefe da Comissão para o Mercado Financeiro (CMF) do Chile, por supostamente emitir uma opinião prematura sobre um processo sancionatório em curso. A ação legal acusa Berstein de violar a lei ao comentar publicamente as infrações da Sartor AGF em uma entrevista. Isso ocorreu antes de o conselho da CMF finalizar as multas e revogar a autorização do administrador.
Na última sexta-feira, Pedro Pablo Larraín apresentou a queixa no 7º Tribunal de Garantia de Santiago, patrocinado pelos advogados Jaime Winter e Jorge Cabrera do escritório Winter Etcheberry. O documento de oito páginas alega que Berstein cometeu a infração prevista no artigo 28 da Lei n° 21.000, que proíbe autoridades reguladoras de opinarem sobre assuntos sob sua análise.
Os fatos remontam a 7 de maio de 2025, três semanas após o investigador da CMF, Andrés Montes, apresentar acusações contra a Sartor AGF e seus executivos por supostas violações de leis como a n° 20.712 sobre fundos de terceiros, n° 18.045 sobre mercados de valores mobiliários e n° 18.046 sobre sociedades anônimas. Em uma entrevista ao La Tercera nesse dia, Berstein declarou: “A decisão da CMF de intervir e liquidar a Sartor foi tomada para proteger o dinheiro dos investidores. Os fundos estavam sendo geridos de forma negligente e não para maximizar os interesses dos investidores […] Esta é uma situação complicada; encontramos uma AGF com gestão de fundos deficiente.”
A queixa argumenta que esses comentários formaram um julgamento prematuro, pois o processo sancionatório ainda estava pendente. Larraín afirma que Berstein conhecia os fatos investigados e que suas palavras prejulgavam infrações nos artigos 17, 20 e seguintes da Lei Unificada de Fundos.
Em 18 de novembro de 2025, o conselho da CMF, com o voto favorável de Berstein —apesar de sua opinião anterior— revogou a autorização da Sartor AGF e aplicou multas aos executivos variando de 22.000 a 80.000 UF, a mais alta ao próprio Larraín. A defesa havia solicitado a recusa de Berstein por escrito e durante a audiência, mas foi ignorada, descrita como conduta dolosa.
Nem a defesa de Larraín nem a CMF comentaram até que a queixa seja processada pelo tribunal.