Um levantamento feito por uma professora da USP indica que o bloco Pipoca da Rainha, de Daniela Mercury, atraiu cerca de 20 mil pessoas no pico, e não os 2 milhões divulgados pela organização. O estudo também aponta 21 mil foliões no Sertanejinho do Teló, contra 1 milhão estimado. A análise usa tecnologia avançada para contestar números hiperbólicos comuns em eventos de massa.
Em 22 de fevereiro de 2026, durante o pós-Carnaval em São Paulo, o bloco Pipoca da Rainha, liderado por Daniela Mercury na rua da Consolação, e o Sertanejinho do Teló, no parque Ibirapuera, atraíram multidões significativas, mas bem abaixo das estimativas oficiais. Mariana Aldrigui, professora de políticas de turismo na USP, em parceria com o Monitor do Debate Político do Cebrap/USP, calculou o pico de 20 mil pessoas para o evento de Mercury e 21 mil para o de Teló, usando o método P2PNet.
O P2PNet combina fotos aéreas de drone em horários variados — 15h45, 16h20 e 17h para Mercury; 13h09, 13h42 e 14h31 para Teló — com software de inteligência artificial treinado para contar cabeças, alcançando precisão de 72,9% e acurácia de 69,5%, com erro médio de 12%. Dados georreferenciados do GeoSampa mapearam os espaços: a Consolação tem 30 metros de largura, e para 2 milhões de pessoas, cada uma ocupando 50 cm x 50 cm, seriam necessários 16,6 km de extensão, do que Aldrigui descreve como 'enfileiradinhos, bonitinhos'.
"Nossa incapacidade de entender as dimensões nos fazem achar que qualquer aglomeração tem milhares, até milhões de pessoas", afirma a pesquisadora. Ela nota que nenhum dos blocos ultrapassou 100 mil pessoas, considerando o vaivém típico de eventos carnavalescos.
A Secretaria de Segurança Pública informou que a Polícia Militar não estimou público este ano. A Prefeitura de São Paulo e a equipe de Daniela Mercury não responderam às solicitações. Aldrigui critica números exagerados, como os 16 milhões projetados para o Carnaval de 2025 pela gestão de Ricardo Nunes (MDB), quando a capital tem 12 milhões de habitantes.
Dados realistas, segundo ela, ajudam a planejar infraestrutura, como banheiros e transporte, e avaliar demandas comerciais. O fenômeno de hipérbole ocorre em eventos como a Parada LGBT+ e manifestações políticas, desmontado por tecnologias de câmeras, telefonia móvel e IA.