O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, expressou publicamente sua insatisfação com a escolha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no STF. Alcolumbre defendia a indicação de seu aliado Rodrigo Pacheco, que planeja abandonar a política. A reação do Senado inclui sinais de tensão com o governo, como votações canceladas e um placar apertado em outra nomeação recente.
Na terça-feira (18), Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, demonstrou abertamente seu descontentamento com a iminente indicação de Jorge Messias para o STF, vaga aberta pela aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso aos 67 anos, quando poderia ficar até os 75. Alcolumbre preferia Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ex-presidente do Senado e aliado próximo, a quem ajudou a eleger em 2021 e que facilitou seu retorno ao comando da Casa em 2025.
A preferência de Lula por Messias era conhecida há semanas, mas na noite de segunda-feira (17), o presidente confirmou a Pacheco que o escolhido seria o advogado-geral da União, conforme revelado pela colunista Mônica Bergamo na Folha. Questionado por jornalistas, Alcolumbre inicialmente evitou comentários, mas depois disse: "Tem que esperar, fazer o quê? Se eu pudesse, eu fazia a indicação."
Pacheco indicou que abandonará a carreira política para voltar à advocacia, apesar de Lula desejar que ele concorra ao governo de Minas Gerais e apoie sua reeleição. Essa perspectiva deixou Alcolumbre especialmente chateado, segundo aliados. A escolha abala a relação entre Alcolumbre, um dos principais apoiadores do governo petista, e Lula.
O Senado reagiu com sinais de resistência: na semana anterior, a recondução de Paulo Gonet como procurador-geral da República obteve apenas 45 votos, quatro acima do mínimo de 41, o placar mais apertado desde a redemocratização. Alcolumbre foi decisivo nessa aprovação, mas indica que não mobilizará apoio similar para Messias. Um dia após a conversa de Lula com Pacheco, o Senado cancelou reuniões da Comissão de Assuntos Econômicos para votar projeto de interesse do governo, como aumento de tributação sobre bets e fintechs. Fontes apontam que isso azeda um pouco as relações entre Executivo e Legislativo, tornando as coisas mais difíceis para o Planalto, embora não chegue a um rompimento.