Tensão no oitavo dia do julgamento pelo feminicídio de Cecilia Strzyzowski

A oitava audiência do julgamento pelo feminicídio de Cecilia Strzyzowski, em Chaco, terminou com embates acalorados entre promotores e defesas após a exibição de uma entrevista com Marcela Acuña. Especialistas apresentaram evidências forenses chave, incluindo joias queimadas da vítima e sangue em uma cama doada pela família Sena. O depoimento de César Sena surpreendeu com um sorriso capturado pelas câmeras.

O oitavo dia do julgamento popular pelo feminicídio de Cecilia Strzyzowski, ocorrido em 2 de junho de 2023, em Resistencia, Chaco, focou em evidências forenses e material audiovisual do clã Sena. Especialistas da Polícia de Chaco, como José Antonio Fernández, da Divisão de Metodologias Investigativas, testemunharam sobre duas fotografias postadas por Cecilia nas redes sociais em dezembro de 2022. Elas mostravam um pingente em forma de cruz e um anel com faixa prateada, pedra e faixa lisa, compatíveis com itens queimados encontrados.

O pingente foi recuperado dobrado, queimado e enferrujado no riacho Tragadero, Campo Rossi, junto a restos ósseos. Gloria Romero, mãe de Cecilia, e Mercedes Valois Flores, sua tia-avó, o identificaram como um presente de família. O anel foi apreendido em um terreno baldio no Barrio Emerenciano Sena, entre cartelas de medicamentos, restos de mala e vidro de telefone.

Uma descoberta chave foi uma cama doada em 6 de junho de 2023, por ordem de Marcela Acuña, coordenada por Fabiana González e transportada por Alfredo Aguirre. Sergio Fabián Moro, bioquímico forense do IMCIF, confirmou manchas de sangue humano na estrutura e no colchão da cama, provenientes de contato direto de um corpo ferido, compatíveis em mais de 99,99% com o perfil genético de Cecilia via sua mãe. Moro descartou sangue menstrual ou respingos.

Restos queimados na casa dos Sena incluíam uma carteira com fragmentos de cartões bancários e de serviços de Cecilia, descritos ao júri enquanto César Sena sorria, conforme câmeras no auditório do Superior Tribunal de Justiça.

A tensão aumentou com o depoimento de Camila Franco, da Cybercrime, sobre entrevistas do clã Sena antes de 9 de junho de 2023. Apenas uma foi exibida: Acuña fora da Terceira Delegacia de Resistencia, com a irmã Patricia e militantes. Acuña minimizou o relacionamento de seu filho César com Cecilia como 'instável', pediu buscas e acusou a mídia de estigmatizar um 'adolescente' por motivos políticos nas primárias PASO. Ela afirmou: “As mães conhecem os filhos que criam”, “É crime ser filho de um esquerdista?”, “Tudo isso é para desacreditar o governo no poder” e “Eu peço a todos que procurem Cecilia”.

As defesas objetaram ao texto sobreposto nos vídeos, interrompendo o restante. A juíza Dolly Fernández convocou um recesso; a continuidade será decidida na sexta-feira.

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