A incerteza em torno do Tratado entre México, Estados Unidos e Canadá (T-MEC) complicou os esforços de empresas de moda dos EUA para transferir a produção de vestuário da China para o México. A primeira revisão obrigatória do pacto, realizada este mês, manteve o acordo em vigor, mas desencadeou negociações anuais. Líderes do setor agora questionam a estabilidade das cadeias de suprimentos regionais.
Os Estados Unidos se recusaram a reafirmar o T-MEC em sua forma atual durante a revisão. O presidente Donald Trump havia criticado deficiências no acordo que ele originalmente intermediou, juntamente com desequilíbrios comerciais envolvendo Canadá e México. As três nações estão agora envolvidas em conversas contínuas, com os EUA e o México programados para realizar uma terceira rodada esta semana.
Uma pesquisa recente constatou que apenas 31,6 por cento das principais empresas de moda dos EUA obtiveram vestuário do México este ano, uma queda em relação aos 52,9 por cento em 2025. Apenas 33 por cento planejam aumentar esse fornecimento nos próximos dois anos. As empresas continuam valorizando o México pela rapidez de chegada ao mercado e pela economia com tarifas, porém a volatilidade política está limitando novos investimentos.
Steve Lamar, da American Apparel & Footwear Association, observou que as empresas estão mantendo laços com a China devido à falta de alternativas previsíveis. Kim Glas, do National Council of Textile Organizations, alertou que o processo de revisão injeta incerteza em um setor que já enfrenta fechamentos de fábricas.
Grupos do setor nos EUA, México e Canadá instaram os negociadores a manter o acordo trilateral e a preservar as regras de origem existentes para têxteis e vestuário. Marcas menores relatam dificuldades específicas para navegar pelos requisitos quando tecidos essenciais permanecem indisponíveis na América do Norte.