O governo venezuelano revogou concessões operacionais para várias companhias aéreas internacionais, incluindo Avianca e Latam Airlines Colombia, após estas suspenderem voos devido a alertas de segurança dos EUA. A medida afeta mais de 8.000 passageiros e é atribuída a ações de 'terrorismo de Estado' promovidas por Washington. Algumas companhias continuam a operar, mas a conectividade aérea ao país está significativamente reduzida.
O Instituto Nacional de Aeronáutica Civil da Venezuela (Inac) anunciou na noite de quarta-feira, através da sua conta no Instagram e da Gaceta Oficial n.º 43.264, a revogação das concessões operacionais no país para seis companhias aéreas: as colombianas Avianca e Latam Airlines Colombia, a espanhola Iberia, a portuguesa TAP, a Turkish Airlines e a brasileira Gol Linhas Aéreas.
A decisão seguiu-se ao incumprimento das empresas em retomar os voos no prazo de 48 horas exigido pelas autoridades venezuelanas. O Inac atribuiu a suspensão unilateral das operações ao facto de as companhias aéreas se terem juntado a 'ações de terrorismo de Estado promovidas pelo governo dos Estados Unidos'. Isto aconteceu após um aviso da Administração Federal de Aviação (FAA) dos EUA na semana passada, alertando para a 'deterioração da situação de segurança e o aumento da atividade militar na Venezuela ou nos seus arredores', indicando riscos para aeronaves a qualquer altitude.
Várias companhias aéreas cancelaram voos no passado fim de semana devido a este alerta. A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) informou que o incumprimento do prazo resultaria na perda de direitos de voo, reduzindo ainda mais a conectividade com a Venezuela. Segundo a Associação Venezuelana de Agências de Viagens e Turismo (Avait), a suspensão afetou mais de 8.000 passageiros de 40 voos diferentes.
Os EUA mantêm um destacamento militar no Caribe desde setembro, justificado como luta contra o tráfico de drogas, mas a Venezuela vê-o como uma tentativa de mudança de regime, incluindo porta-aviões, navios de guerra e aviões F-35. A Iberia expressou o desejo de retomar os voos assim que as condições de segurança forem cumpridas, enquanto a Air Europa e a Plus Ultra suspenderam operações sem perder permissões. O ministro das Infraestruturas de Portugal, Miguel Pinto Luz, afirmou que o seu governo 'não cede a ameaças' e prioriza a segurança nacional.
As companhias Copa e Wingo, bem como as linhas nacionais para a Colômbia, Panamá e Curaçao, continuam a operar na Venezuela.