O Centro de Arte Hortensia Herrero, em Valência, recebe a primeira exposição temporária de Anselm Kiefer na Espanha em 20 anos, apresentando uma obra de 13 metros nunca antes exibida na Europa. O artista alemão, nascido em 1945 em meio às ruínas do pós-guerra, exibe peças que exploram a história e a mitologia alemã. O curador Javier Molins descreve seu trabalho como 'um oceano insondável de tantas camadas'.
O Centro de Arte Hortensia Herrero marca seu segundo aniversário com uma exposição de Anselm Kiefer, apoiada pela mecenas Hortensia Herrero, esposa do proprietário do Mercadona, Juan Roig. Erguendo-se sobre as ruínas de um antigo palácio, o centro apresenta as obras do artista alemão pela primeira vez na Espanha desde a mostra no Guggenheim Bilbao, há duas décadas.
Kiefer, nascido em 8 de março de 1945 em Donaueschingen, brincou entre os escombros da Segunda Guerra Mundial. Suas peças, presentes no Centre Pompidou, MoMA, Tate e Louvre — sendo o único artista vivo exibido lá — abordam a herança nazista, a mitologia grega, a alquimia e a poesia de Baudelaire e Celan. Em 1969, ele gerou polêmica com 'Ocupações', uma série de fotos fazendo a saudação nazista.
O destaque é 'Danaë', com 13 metros de comprimento, apelidada pelo curador Javier Molins de 'Guernica' de Kiefer e exibida na Europa pela primeira vez. Kiefer alerta contra a obsessão pelo tamanho: 'A qualidade não tem nada a ver com metros'. A obra mistura o mito de Dânae — engravidada pela chuva de ouro de Zeus — com o aeroporto de Tempelhof, em Berlim, um antigo símbolo nazista que hoje é um parque.
Suas telas utilizam chumbo, material que se transforma com o tempo e carrega 'o peso da história', segundo o artista. Paisagens em tons de cinza-chumbo e cinzas evocam a regeneração, como observa Herrero: 'Na escuridão de sua pintura, há sempre luz em uma flor'. Aos 81 anos, Kiefer não pôde comparecer à abertura devido a problemas de saúde.