O mercado de smartphones cresceu 1,9% em 2025 apesar de tarifas e pressões económicas, com Apple e Samsung a capturarem 39% dos envios globais. Dispositivos premium impulsionaram os ganhos, mas uma escassez iminente de RAM ameaça preços mais altos em 2026. Especialistas da indústria alertam para uma possível contração do mercado a menos que os problemas de abastecimento se aliviem.
Em 2025, a indústria global de telemóveis alcançou um crescimento homólogo de 1,9%, contrariando desafios de tarifas, instabilidade económica e restrições orçamentais dos consumidores, segundo dados da International Data Corporation (IDC). Os smartphones premium, aqueles com preços à volta de 800 dólares ou mais, tiveram um desempenho forte, ajudando a Apple e à Samsung a registar as maiores taxas de crescimento de envios. Juntas, as duas empresas representaram 39% de todos os telemóveis vendidos em todo o mundo, um aumento face aos 37% do ano anterior. nnOlhando para 2026, as perspetivas mudam devido a uma escassez crescente de RAM, um componente que já afeta o setor de computadores pessoais. Esta disrupção na cadeia de abastecimento, descrita como sem precedentes, espera-se que eleve os custos e leve a uma queda nos envios de smartphones. «Embora 2025 tenha sido um ano positivo para os smartphones, a indústria enfrenta agora uma perspetiva claramente diferente», afirmou Ryan Reith, vice-presidente do grupo da IDC para dispositivos de cliente a nível mundial. Ele acrescentou que «a escassez de memória... fará com que o mercado declina em 2026, e a duração da escassez determinará em última análise a extensão da contração do mercado». nnGrandes empresas tecnológicas como a Apple e a Samsung estão melhor posicionadas para negociar termos de abastecimento favoráveis, protegendo potencialmente as suas margens. No entanto, os consumidores comuns podem enfrentar preços médios de telemóveis mais elevados à medida que os custos se propagam. Os fabricantes podem adotar estratégias semelhantes às usadas contra as tarifas de 2025, como atrasar ajustes de preços ou alterar especificações de produtos para suavizar o impacto. nnAvi Greengart, presidente e analista principal da Techsponential, antecipa que as empresas passarão os custos de forma seletiva. «Vai ver modelos base de telemóveis com menos armazenamento do que costumava obter no passado, com preços mais altos passados para as opções de armazenamento maior», explicou. As empresas também podem optar por medidas de poupança de custos, como manter a tecnologia de ecrã da geração anterior em vez de atualizar. Mesmo dispositivos de entrada e gama média, com margens reduzidas, dificilmente escaparão aos aumentos, enquanto os dobráveis super-premium — frequentemente próximos dos 2000 dólares — oferecem mais flexibilidade para subidas de preços. nnNo início de 2026, poucos novos telemóveis foram lançados sem saltos notáveis de preço, deixando os observadores a aguardar eventos como o Mobile World Congress no final de fevereiro para sinais mais claros sobre a direção do mercado.